Curitiba – A proporção de pessoas de 18 anos ou mais que foram diagnosticadas com depressão nos estados da Região Sul (12,6%) ficou bem acima do índice nacional, segundo os dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2013, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Enquanto a proporção nacional ficou em torno dos 7,6%, o índice chegou a 11,7% no Paraná, 12,9% em Santa Catarina e 13,2% no Rio Grande do Sul.

Se for analisada a proporção do Paraná, por exemplo, o índice de 11,7% representa cerca de 1 milhão de pessoas dentro do universo de 8,6 milhões de paranaenses de 18 anos ou mais, conforme o Censo de 2010. De acordo com o IBGE, os números são expressivos comparados a outras regiões, mas não indicam que o Sul tem mais casos.

O órgão ressaltou que nem toda a população das diversas regiões tem acesso a profissionais de saúde de maneira igual. "É possível que o envelhecimento maior da população possa ter influenciado no resultado, mas não temos como cravar que realmente isso influenciou os dados. Os pesquisadores acreditam que o acesso ao atendimento médico é maior na região, e isso teve reflexos diretos no resultado. Não quer dizer literalmente que a população do Sul seja mais deprimida, mas sim que o diagnóstico da doença está sendo mais efetivo do que em outras regiões", destacou Flávia Vinhaes Santos, pesquisadora do IBGE e uma das responsáveis pela PNS 2013.

De acordo com a PNS, 39,3% dos brasileiros adultos, com 18 anos ou mais, foram diagnosticados com pelo menos uma entre 10 doenças crônicas não transmissíveis (depressão, colesterol alto, diabetes, hipertensão, problemas cardiovasculares, acidente vascular cerebral-AVC, câncer, insuficiência renal, problemas de coluna e problemas osteomusculares). Juntas, essas doenças respondem por mais de 70% das mortes no País, observou o instituto.

"A intenção é que a partir destes dados sejam desenvolvidas mais políticas públicas de saúde. A pesquisa aponta onde estão os problemas e quais doenças mais acometem os brasileiros, quais são os hábitos alimentares da população, e a partir disso os órgãos de administração poderão criar projetos para melhorar a assistência e a prevenção", completou Flávia.

Conforme os dados, a depressão é a quarta doença crônica que é mais diagnosticada no Brasil (7,6%), ficando atrás da hipertensão, que é a que mais apresenta casos, com 21,4%, problema crônico de coluna e colesterol, com 18,5% e 12,5%, respectivamente. Ainda segundo os números, apenas 46,4% das pessoas diagnosticadas com depressão no País tinham recebido assistência médica nos 12 meses anteriores. No Paraná este índice ficou em 48%, em Santa Catarina, 43%, e no Rio Grande do Sul, 50,6%.

A proporção de pessoas com depressão que fazem uso de medicamentos no Brasil ficou em 52%. No Paraná o índice foi de 48%, de 47,3% em Santa Catarina e de 58,2% no Rio Grande do Sul. "Os casos de depressão estão sendo tratados, apesar de, em muitos casos, forma precária. Antes a população que desenvolvia a doença não tinha a quem recorrer. Agora, pelo menos no Sul, as pessoas procuram os postos de saúde que disponibilizam especialistas", ressaltou Maria Clementina Menghini, professora responsável pelo Centro de Psicologia Aplicada da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Ela ainda apontou a intensa variação climática e a ocorrência de tragédias recentes como fatores que podem ter influenciado no resultado da pesquisa. "É comprovado que nos lugares frios, com menos sol, as pessoas ficam mais sensíveis à depressão. Além disso, como o estudo foi elaborado no ano passado, ainda estavam recentes duas tragédias que atingiram a Região Sul (deslizamentos e enchentes em Santa Catarina e o incêndio na boate Kiss, em Santa Maria-RS), e isso cria um clima de tristeza inevitável porque muitas pessoas perderam familiares", afirmou.

Todas as informações da pesquisa foram coletadas pelo IBGE em convênio com o Ministério da Saúde. Os agentes visitaram cerca de 80 mil domicílios em 1.600 municípios de todo o País, no segundo semestre de 2013.

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