Curitiba - A região sul do Brasil concentra o maior número de dependentes de maconha e tabaco do País. Quando se trata de outras drogas, incluindo as ilícitas e os remédios, a região ocupa a terceira posição no ranking nacional. Entre a população pesquisada nos três estados do Sul, 17,1% já fizeram uso de algum tipo destas drogas. Os dados foram divulgados ontem durante a abertura da IV Semana Nacional Antidrogas, em Brasília.
A pesquisa foi feita de outubro a dezembro de 2001 nos municípios com mais de 200 mil habitantes, ou seja, 107 municípios brasileiros. No total foram entrevistadas 8.589 pessoas, com idade entre 12 e 65 anos. No Paraná foram pesquisados os municípios de Curitiba, Londrina, Maringá, Cascavel, Foz do Iguaçu, Ponta Grossa e São José dos Pinhais. Porém, os dados específicos desses municípios só serão divulgados em agosto.
Pela pesquisa ficou constatado que na Região Sul 12,8% dos pesquisados são dependentes de tabaco. O índice é alto se comparado às demais regiões do País, que obtiveram índices variando entre 8,4% (Sudeste) e 10% (Norte). Na Região Sul foram feitas 947 entrevistas em 18 municípios, que abrangem uma população de 7,6 milhões de pessoas. O universo pesquisado equivale a 30% da população da região.
No uso de maconha a região também é campeã. De todos os pesquisados, 8,4% admitiram que já usaram maconha e 1,6% se tornaram dependentes da droga. No consumo de cocaína a região apresentou o maior índice de pessoas que já experimentaram a droga: 3,6%. A região também é líder no consumo do crack, sendo que 0,5% dos entrevistados já utilizaram o entorpecente. A Região Sul só ocupa a última posição no ranking nacional quando se trata do uso de orexígenos, medicamentos que estimulam o apetite.
Segundo os coordenadores da pesquisa, o trabalho representa o mais amplo estudo já realizado no País sobre a questão das drogas psicotrópicas. Eles descobriram que quase 20% da população brasileira já fizeram uso de alguma droga psicotrópica para obter alterações psíquicas, definidas pelos entrevistados como ‘para sentir um barato’. Esse índice equivale a 9,1 milhões de pessoas.
Os pesquisadores também constataram que entre as drogas ilícitas somente os consumidores de maconha se reconhecem como dependentes. Nesta condição estão aproximadamente 451 mil pessoas no País.

mockup