Região perde 200 mil pessoas em 30 anos
Sid Sauer
De Campo Mourão
Desde o Censo realizado em 1970 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) até hoje, a região de Campo Mourão perdeu quase 200 mil habitantes. Nesses 29 anos, são exatos 195.537 moradores a menos na região. Os números estão num levantamento divulgado durante a semana pela agência do IBGE de Campo Mourão, que anunciou a estimativa deste ano da população regional. Em 1970, a região tinha 532.143 habitantes. Hoje são 336.606.
De todas as cidades da região, apenas Campo Mourão conseguiu aumentar sua população nesses 29 anos. E não aumentou muito. Eram 77.118 habitantes em 1970 e agora são, segundo o IBGE, 80.824. O aumento é de 2.706 moradores. Nesse período, é verdade, Campo Mourão perdeu dois distritos Luiziana e Farol. Os ex-distritos, porém, eram bem maiores até 1970. Farol tinha 11.614 habitantes e hoje, emancipado, tem apenas 3.924.
Já o ex-distrito de Luiziana caiu de 7.525 moradores em 1970 para 6.808 atualmente. O distrito chegou a ter quase 12 mil habitantes no censo de 1980. Quem mais despencou nesses 29 anos foi Goioerê, que contava com 75.928 moradores até 1970. Hoje, são apenas 28.857. A exemplo de Campo Mourão, Goioerê também perdeu dois distritos. Apenas um deles Quarto Centenário chegou a ter 24.886 moradores em 1970. Hoje a população é de 5.273.
O censo de 1970 revela o auge da população rural, explica o chefe da agência regional do IBGE, Devair Jesus de Souza. Em Campo Mourão, dos 77.118 habitantes da época, 49.338 moravam na zona rural e 27.780 na cidade. Em 1996, a situação já aparece bem inversa. São 73.535 pessoas morando na cidade e somente 5.973 na zona rural. Já Barbosa Ferraz tinha 31.347 habitantes na zona rural em 1970. Hoje, eles são pouco mais de 4 mil.
Mesmo em 1960, a região possuía mais habitantes do que hoje. Na época, o censo apurou 369.906 moradores. A população chegou ao máximo de 532.143 em 1970 e a partir daí começou a cair. Em 1980 já eram 403.902 e, em 1991, 387.351. Uma das causas desse êxodo rural é a falta de renda do pequeno produtor rural, diz o presidente da Cooperativa Agropecuária Mourãoense (Coamo), José Aroldo Gallassini. Ele não atribui apenas ao governo a culpa pelo êxodo rural. Essa é uma tendência mundial, ressalta.
O prefeito de Iretama (70 km ao sul de Campo Mourão) e presidente da Associação dos Municípios do Paraná (AMP), Same Saab (PSDB), não se conforma com as contagens do IBGE. Ele admite que houve queda da população nos pequenos municípios, mas acha que ela não é tão grande nos últimos anos. Para Same, os municípios agrícolas são prejudicados pelo Censo. Eu não acredito que os recenseadores percorram todas as propriedades agrícolas, afirma.
O presidente da AMP, por sua vez, atribui aos governantes brasileiros a culpa pelo êxodo rural. É só investir na agricultura que o pequeno produtor não vai para a cidade, ressalta. Segundo ele, o governo só teria a ganhar com isso, uma vez que o custo para se manter um cidadão na zona rural é menor que na cidade.





