Londrina - O número elevado de notificações de dengue preocupa a Região Noroeste. Segundo Valter Sordi, da Divisão de Vigilância em Saúde da 14ª Regional de Saúde, até agora, nos 28 municípios da RS, já existem 437 casos notificados, dos quais 64 têm grande possibilidade de serem confirmados. "As análises estão em andamento. É possível que esse número seja bem maior", apontou Sordi.
Sordi destaca que os municípios de Loanda, Paranavaí, Nova Londrina e Itaúna são municípios que tiveram dengue até o ano passado e o ressurgimento da doença nesses locais pode acontecer. "O risco potencial é alto, porque a situação apresenta um índice alto de vetores (mosquitos Aedes aegypti) porque a média anual de temperatura na região é a mais alta do Estado, girando entre 28ºC e 30ºC. As recentes pancadas de chuva contribuem para que a situação se agrave ainda mais", explicou.
Ele destacou que a Regional de Saúde tem combatido a dengue por intermédio da orientação técnica e, por ter a exclusividade no uso do Ultra Baixo Volume móvel, conhecido popularmente como fumacê, tem participado ativamente no controle da doença.
"Além disso, temos feito o acompanhamento da resolução de problemas apresentados pelas prefeituras", afirmou. Ele destacou que uma das grandes queixas é que a população não tem colaborado, mantendo o lixo reciclável nos quintais e os bebedouros de animais não são limpos regularmente. "Além disso, há uma grande dificuldade na limpeza das galerias pluviais e dos criadouros naturais que se formam nas árvores. Nas residências, muitas tampas de caixas d’água estão trincadas. Enfim, é uma somatória de fatores que tem contribuído para esse quadro", ressaltou.
O médico da Seção de Epidemiologia da 14ª Regional, Marcelo Campos Silva, lembrou que a maioria dos municípios da Região Noroeste não possui um número adequado de agentes de endemias para fazer o combate aos focos do mosquito. "O Ministério da Saúde preconiza que cada município deve ter um agente para cada 800 a 1.000 domicílios. No nosso caso, o ideal seria um agente para cada 800 domicílios, para que ao longo das 52 semanas do ano pudéssemos desenvolver um trabalho preventivo com muito mais frequência, com vistorias regulares, educação sanitária. Você modifica a cultura das pessoas estando presente, orientando, mas a maioria dos gestores municipais não entende isso, na nossa região não temos municípios com número adequado de agentes", afirmou. (V.O. e D.P.)

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