Sorocaba, SP, 13 (AE) - As empresas da região de Sorocaba, no sudoeste do Estado, correm o risco de pagar mais caro pelo gás distribuído através do gasoduto Bolívia-Brasil, por terem ficado fora do acordo entre a Comgás e a Petrobrás para a distribuição do produto. O alerta foi feito hoje, em Sorocaba, pelos deputados estaduais Luiz Gonzaga Vieira (PDT), Antônio Caldini Crespo (PFL) e Hamilton Pereira (PT), e pela deputada federal Iara Bernardi (PT). Eles decidiram criar uma frente parlamentar para discutir o assunto com a Secretaria de Energia do Estado.
Segundo o deputado Gonzaga Vieira, o contrato garantiu à Comgás o controle exclusivo do produto fornecido pela Petrobrás, que é mais barato que o gás boliviano. Por ser a última das três regiões do Estado a integrar o processo de concessão para o fornecimento do gás, a região de Sorocaba não poderá adquirí-lo da Comgás. Isso porque a empresa já fornece gás a indústrias da região de Cordeirópolis e não pode participar da concorrência para a distribuição em outras localidades para não caracterizar o monopólio.
"Fazendo uma composição entre o gás boliviano e o da Petrobrás, a Comgás repassará o produto a um preço mais reduzido para o consumidor", explicou o deputado. Já o gás a ser distribuído na região de Sorocaba virá diretamente da Bolívia, podendo custar pelo menos 10% mais caro. "Isso poderá gerar um desequilíbrio na concorrência entre as indústrias consumidoras de gás", alertou Vieira. O impacto poderá ser grande nas indústrias do pólo cerâmico de Tatuí, segundo o parlamentar. Além da Secretaria de Estado da Energia, o grupo de deputados pretende discutir os critérios de fixação dos preços do gás com a Comissão Estadual de Serviços Públicos.

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