Região de Ribeirão tem frente de apoio à agricultura orgânica
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domingo, 19 de março de 2000
Por Kelly Lima 
Ribeirão Preto, 20 (AE) - Uma frente de fomento da agricultura orgânica está se formando na região de Ribeirão Preto, incentivada principalmente por agrônomos da Unesp de Jaboticabal. Depois da formação da Associação de Produtores Orgânicos de Jaboticabal (Aprodija), é a vez de Monte Alto ter esse tipo de cultura incentivada entre seus produtores.
Uma série de palestras que acontece entre hoje e quarta-feira pretende mostrar vantagens de mercado, técnicas de manejo e de administração da propriedade orgânica a cerca de 140 produtores da região. O evento é apoiado pelo Sindicato Rural de Monte Alto e terá a presença de agrônomos, biólogos e zootecnistas da Unesp de Jaboticabal. Segundo a engenheira agrônoma Tereza Cristina Pissarra, que vai falar sobre o "Panorama do Mercado e Comercialização dos Produtos Orgânicos no Brasil", a região de Monte Alto foi escolhida para fomentar esse tipo de cultura por ser composta em sua maior parte por pequenos produtores. "A maior parte dos agricultores daquela região está ligada à citricultura e quer diversificar sua produção em busca de melhor renda", disse.
Além disso, diz ela, já existem em Monte Alto culturas bastante distintas, como a de cebola e alho, e não somente uma monocultura, como no caso da região de Ribeirão Preto, a cana-de-açúcar. "Parece que lá os produtores estão mais abertos para diversificação da produção, o que nos dá uma brecha para tentar incentivar esse plantio", disse.
Além da vantagem da diversificação, lembrou, existe ainda o aspecto ambiental que vem sendo valorizado. "Existe demanda para o produto orgânico. O que falta é maior oferta. Na região de Ribeirão, considerada um mercado potencial, existem apenas dois produtores de hortaliças na região de Itápolis e mais uns cinco na região de Monte Alto e Jaboticabal. Isso é insuficiente para abastecer o mercado varejista", analisou. A expectativa é de que dentro de dois anos, período necessário para adaptação de uma propriedade para a agricultura orgânica, haja uma série de produtores certificados na região pelos órgãos indicados no Brasil.
Os exemplos de sucesso da agricultura orgânica na região de Ribeirão Preto estão limitados a dois grandes empreendimentos. Na cana-de-açúcar, o lançamento do açúcar orgânico Native, desenvolvido pela Usina São Francisco, foi bem recebido pelo mercado, apesar do preço pelo menos cinco vezes superior ao açúcar normal. A expectativa é de que o retorno do investimento feito pela usina nos últimos dez anos, de R$ 20 milhões para desenvolver a cana orgânica, tenha retorno ainda no primeiro ano de vendas.
Já na citricultura, a Montecitrus, de Monte Azul Paulista, espera aumentar em 400% neste ano o volume de exportações de suco integral de laranja orgânica. A Montecitrus reúne 430 propriedades de citros, a maioria no Estado de São Paulo. Em 99, os embarques de suco integral concentrado de laranja orgânica totalizaram 12 milhões de litros, já registrando aumento de 20% em relação ao ano anterior.
Segundo o superintendente comercial, Ronaldo Anacleto, o maior interesse é pelo desenvolvimento "surpreendente" que este mercado de orgânicos vem registrando na Europa. Para os sucos de fruta orgânicos, por exemplo, a Alemanha é hoje o maior mercado, respondendo por 46% das vendas na Europa, segundo pesquisa realizada recentemente pela Zenith International, empresa inglesa que faz consultoria para indústrias de alimentos e bebidas.
Após a Alemanha, estão a França, responsável por 16% das vendas e em terceiro lugar a Inglaterra, com 12%. Segundo estudos do Centro de Comércio Internacional (CCI), sediado em Genebra, somado ao mercado de alimentos, o setor bebidas orgânicas deve movimentar em 2005 cerca de US$ 20 bilhões, quando atingir a expectativa prevista de aumentar de 1% para 10% sua participação total nas vendas no mundo todo.


