Região de Americana se beneficia com câmbio
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sábado, 19 de junho de 1999
Por Clayton Levy e Denise Lacerda 
São Paulo, 20 (AE) - A retomada dos negócios na indústria têxtil de Americana (SP) começou a partir de 1995, quando o Sindicato das Indústrias Têxteis mobilizou empresários, prefeitos e trabalhadores do setor para protestar contra as importações. A idéia deu certo. No mesmo ano, foi criada em Brasília a Frente Parlamentar em Defesa da Indústria Têxtil e do Vestuário, que hoje conta com 180 deputados e seis senadores.
O resultado prático das pressões surgiu ainda em 1995, com medidas de proteção adotadas pelo governo federal, e foi consolidado no início deste ano, com a desvalorização do real. "A mudança no câmbio inibiu as importações de tecidos e confecções, o que tornou o produto nacional mais atraente", diz o empresário Nelson Biasi, proprietário de uma das tecelagens mais tradicionais da cidade. Ele ressalva, porém, que muitas indústrias ainda enfrentam problemas, porque compram matéria-prima cotada em dólar.
Segundo ele, as medidas adotadas pelo governo antes da mudança cambial foram decisivas para a recuperação. A primeiras delas ocorreu ainda em 1995, com a elevação das alíquotas de importação de 18% para 70%. Essa medida, porém, durou só até 1996, quando a alíquota voltou aos 18%. Em compensação, no mesmo ano, foram estabelecidas cotas para a importação de tecidos asiáticos, o que deverá valer até o final de 1999.
O lobby das indústrias têxteis continuou pressionando o governo federal que, em 1997, voltou a atender ao setor e baixou uma portaria estabelecendo cotas para importação de vestuário procedente da China. Sem a livre concorrência com os chineses e coreanos, os empresários nacionais ganharam fôlego para modernizar o parque industrial, o que está permitindo reduzir os custos de produção. Essa medida também vigora até o final do ano.
Fundada em 1942, a fábrica do empresário Nelson Biasi já havia passado por muitos períodos difíceis mas, segundo ele, nada se compara aos anos 90. "Muitos de nós já davam por perdida essa década", diz. A produção de sua fábrica, que em 1989 chegava a 300 mil metros por mês, caiu para 80 mil metros no auge da crise, entre 1992 e 1995.
Invasão - Os efeitos devastadores na industria têxtil de Americana começaram a surgir em 1990, quando o ex-presidente Fernando Collor de Mello eliminou as alíquotas de importação. Por cinco anos consecutivos, o mercado nacional foi invadido pelos tecidos asiáticos. Com equipamento obsoleto e sem a proteção do governo, os fabricantes nacionais não tiveram como competir com os importados. As importações aumentaram 40 vezes em apenas cinco anos. De 2,1 mil toneladas em 1991, saltaram para 82,1 mil toneladas em 1995.
"Isso sem falar nas importações de confecções, que em 1995 devem ter alcançado 50 mil toneladas", diz Biasi. No mesmo período, o número de tecelagens em Americana despencou de 827 para 447, enquanto o quadro de empregados encolheu de 17,8 mil para 8,5 mil trabalhadores. "A cidade quebrou", afirma o empresário.
A região de Americana, que chegou a responder por 85% da produção nacional de tecidos de fibras artificiais e sintéticas, entrou na rota da estagnação. A produção local, que até 1991 era de 100 milhões de metros por mês, caiu 60% até 1995, quando o setor encerrou o ano com 45 milhões de metros. O número de trabalhadores no setor, de 17,8 mil despencou para 8,5 mil em 1995. "Chegamos ao fundo do poço mas, agora, acreditamos que estamos crescendo", diz Biasi.
Blumenau - A crise do setor têxtil no Médio Vale do Itajaí (SC) não passou totalmente, mas pesquisas mostram recuperação, principalmente na germânica Blumenau, onde há uma das maiores rendas per capita do País.
O crescimento econômico se dá porque outros segmentos da indústria estão mais fortes e o comércio e os serviços ganharam maior expressão na economia, reduzindo consideravelmente a antiga dependência da atividade têxtil.
As empresas de informática, por exemplo, multiplicaram o número de vagas oferecidas nos últimos anos e hoje empregam cerca de 3 mil pessoas somente em Blumenau e, ainda acumulam premiações no desenvolvimento de softwares.
A cidade sempre se destacou como um mercado importante no ponto de vista de produção industrial têxtil, no comércio forte e no turismo de compras, diz o presidente da Câmara de Diretores Logistas, Alexandre Peters. "Só que a globalização foi cruel, obrigando as empresas a buscar novas alternativas no mercado externo com um enxugamento sem precedentes", recorda, "Ajustadas as situações, o segmento têxtil já retoma a caminhada e hoje notamos até melhora de vendas do comércio regional" comemora Peters.


