Belém, 23 (AE) - A operação para a retirada dos 1,8 milhão de litros de óleo da balsa Miss Rondônia, que afundou há 20 dias no Rio Pará, deve ser iniciada no próximo sábado, sengundo anunciou hoje a direção da Texaco no Brasil. O guincho de 16 toneladas já foi montado na estrutura da balsa Xingu, para guiá-la durante o processo de sucção do óleo armazenado na embarcação fundeada. Hoje, ecologistas e moradores da região protestaram contra a demora no resgate da balsa.
De acordo com o diretor da Texaco, Roberto Ferreira, o trabalho de bombeamento do combustível deve durar entre oito e dez dias. Já a operação para fazer a balsa flutuar, sem o óleo, está prevista para durar dois dias. Nesta quarta-feira, a Capitania dos Portos começou a tomar as providências necessárias para o resgate. A navegação de embarcações num raio de 400 metros de diametro em torno do local onde a balsa afundou já foi proibida. A imprensa também está impedida de entrar na área, a não ser em dois horários diferentes e por um período de 30 minutos. "Isto é para facilitar o trabalho das equipes de resgate", explicou o capitão Laury Ramos. Segundo ele, 20 homens e três lanchas serão utilizados na salvatagem (resgate).
Protesto - Comunidades das baías de Marajó e Capim, ecologistas e empresários do setor de ecoturismo da região protestaram, hoje
contra a demora na operação. A manifestação ocorreu em frente ao aeroporto de Vila do Conde. A Texaco reconhece os sucessivos atrasos, mas justifica que isso demonstra a "cautela adotada pela empresa" para reduzir ao máximo o risco de um desastre ecológico, no caso de vazamento do óleo.
O tempo de fabricação da balsa que afundou ainda é um mistério, mas a Texaco já considera a possibilidade de fazer algumas modificações no plano original de sucção do óleo. Mergulhadores descobriram algumas avarias na embarcação, fazendo a retificação das roscas e dos parafusos fixados nas tampas dos tanques de lastro, por onde será injetado o ar comprimido para fazer a balsa flutuar.

mockup