Refugiados sérvios esperam voltar para suas casas em Kosovo
Vranje, Iugoslávia (AE-AP) - Mais de seis meses depois do final da guerra em Kosovo, cerca de 180 refugiados sérvios celebraram o Natal num abrigo coletivo esperando pelo prometido retorno para casa.
Há algum progresso, mas apenas aparente. Ínibus e trens agora circulam pelas pontes reconstruídas e viadutos destruídos pelos 78 dias de bombardeios da OTAN que forçaram o presidente iugoslavo Slobodan Milosevic a encerrar suas severas sanções aos albaneses separatistas em Kosovo.
Porém, boa parte das construções são mal feitas, como a ponte férrea em Grdelica, a 40 quilômetros ao norte, onde um avião OTAN matou mais de uma dúzia de pessoas quando seus mísseis atingiram um trem de passageiros.
"Nenhum desses dignatários voltou para ver como a chuva destruiu o concreto mal colocado", disse um aposentado de 68 anos sobre os altos funcionários iugoslavos que participaram da cerimônia de reabertura da ponte. E pediu para ser identificado apenas por seu primeiro nome, Stanojko, temendo represálias dos funcionários do governo.
Mas Natal é tempo de comemoração. Então, apesar de comprimidos num ginásio em Vranje, uma cidade a 340 quilômetros ao sul da capital iugoslava Belgrado, refugiados sérvios da cidade kosovar de Pristina dividiram uma modesta ceia de Natal no dia 6 de janeiro e pensaram em tudo o que haviam perdido. Como cristãos ortodoxos, os sérvios celebram o Natal e o Ano Novo 13 dias depois dos demais cristãos.
"Nosso único desejo para este novo milênio é: nós queremos voltar para casa", disse outro refugiado, Srdjan, de 30 anos.
Srdjan, que também não quis divulgar seu sobrenome, disse que ele e cerca de 180 pessoas deixaram tudo o que tinham quando as forças de paz da OTAN entraram em Kosovo em junho do ano passado
depois que as forças de segurança iugoslava abandonaram a província.
Em vez de casas bem mobiliadas, agora eles não têm mais do que poucos colchões, sacos plásticos com seus pertences e várias freezeres. "Nós todos comemos e dormimos aqui", diz Srdjan, mostrando, com gestos, o ginásio onde velhos e bebês estavam tentando dormir, enquanto os demais tentavam celebrar.
A maioria dos 200 mil sérvios kosovares começaram a fugir da província de maioria albanesa em junho, temendo ataques de represália dos albaneses étnicos. As maioria buscou abrigo na Sérvia, onde foram distribuídos pela autoridades por todo o país
que lhes ofereceu pouco mais do que promessas.
"Nós não confiamos em ninguém, especialmente em Milosevic", diz Srdjan. Muitos sérvios culpam o presidente iugoslavo pelos mais de dez anos de guerra nas Bálcãs que deixou o país isolado e em ruínas. "Eles estão nos fornecendo jornais estatais, mas nós preferiríamos mais comida", diz Srdjan.
As autoridades dizem que não podem cuidar melhor dos refugiados devido às sanções comerciais internacionais.





