Gisenyi, Ruanda – Os quase 300.000 refugiados que deixaram suas casas na quinta-feira depois da erupção do vulcão Nyiragongo voltaram ontem a Goma (leste da República Democrática do Congo, RDC), apesar da cidade estar destroçada e dos tremores de terra registrados à noite. Segundo comprovaram jornalistas da AFP, essa volta em massa de refugiados complica consideravelmente a distribuição da ajuda humanitária.
Não houve até o momento novos balanços de vítimas em Gisenyi, cidade de Ruanda à qual fugiram os habitantes de Goma quando o vulcão começou a cuspir a lava na quinta-feira passada. Até o momento fala-se em cerca de 40 mortos, segundo organizações humanitárias, mas o número pode ser menor.
Diversas oficinas das Nações Unidos e outras organizações pediram às pessoas prejudicadas que se dirijam aos dois campos de refugiados instalados em Ruanda onde receberão o que precisarem. Segundo a ONU, voltar a Goma representa ainda um grande perigo devido aos terremotos e aos gases tóxicos que são emanados pelo vulcão e a ajuda humanitária será mais eficaz se os refugiados saírem de Gisenyi onde as condições de higiene são lamentáveis.
Só nos acampamentos de refugiados de Nkamira e Mudende haviam ontem cerca de 5.000 refugiados, segundo um Alto Comissariado da ONU para os refugiados (ACNUR). Na província de Sud Kivu, a leste da RDC, espera-se a chegada de 160.000 refugiados de Goma, Gisenyi e Saké, uma localidade vizinha a Goma, nos próximos dias, segundo organizações humanitárias.
Na parte oeste de Goma, que ficou ilhada com a lava do vulcão, a situação voltou ao normal depois que a lava secou. O aeroporto de Goma continuava parado ontem porque a pista foi invadida pela lava. O de Gisenyi tem capacidade limitada e o mais próximo fica em Kigali, de onde os subsídios devem chegar por estrada.
Em janeiro de 1977 este mesmo vulcão entrou em erupção e provocou a morte de cerca de 2.000 pessoas.

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