Kukes, Albânia, 23 (AE-AP) - Expulsos de suas casas em Kosovo, centenas de refugiados estão sendo movidos à força novamente, desta vez pela polícia albanesa que quer esvaziar um campo de refugiados temporário próximo da fronteira.
Jacques Franquin, porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), disse hoje que cerca de 3.000 pessoas foram colocadas em ônibus pela polícia de Kukes e enviadas para fora da cidade. Os refugiados, albaneses étnicos de Kosovo, tinham chegado em tratores e estavam nos arredores de Kukes, no que ficou conhecido como "campo do trator". "Nós não queremos expulsar pessoas", disse Franquin. "Elas já foram expulsas de Kosovo. Uma só vez basta."
As remoções forçadas mostram como a tensão cresceu ao redor de Kukes um mês depois da primeira onda de refugiados chegar de Kosovo. Enquanto milhares de refugiados dirigiram-se para Tirana e outras cidades do sul por conta própria e outras foram retiradas em ônibus governamentais, oficiais humanitários estimam que cerca de 100.000 pessoas ainda permanecem em Kukes.
Cidade de 20.000 habitantes antes da crise, Kukes foi "invadida". Muitos refugiados foram recebidos por famílias locais ou alugaram quartos dos residentes que almejam dinheiro rápido nesta região profundamente empobrecida do país mais pobre da Europa. O resto fica em campos emlameados montados por grupos humanitários e tropas estrangeiras.
Franquin disse que roubos e ataques contra os refugiados aumentaram e a ameaça de confrontos na fronteira com a Iugoslávia torna imperativo para os refugiados saírem da área o mais rapidamente possível.
Mas o porta-voz da ACNUR diferenciou o que ele chama de um encorajamento por parte da entidade para as pessoas saírem de lá e as táticas da polícia de Kukes.
Franquin informou que a polícia foi até o "campo do trator" na madrugada de quinta-feira, antes dos oficiais humanitários chegarem, e fez as pessoas entrarem em ônibus para lugares desconhecidos no sul.
Ele disse que a ACNUR, que coordena um esforço internacional humanitário, não tinha meios de deter a polícia nesta ação.
"A Albânia tem a soberania deste país", disse. "Nós podemos dar-lhes conselhos, tentar influenciá-los, discutir com eles, tentar encontrar soluções alternativas, mas eles têm o direito de agir como quiserem". Enquanto falava, um carro de polícia andava pelas ruas com seus alto-falantes anunciando que os refugiados deveriam deixar a cidade em algumas horas.

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