Refugiados de Kosovo chegam em massa a países vizinhos
Skopje, 02 (AE-REUTERS) - Refugiados de Kosovo continuaram a chegar hoje (02) em números alarmantes às vizinhas Albânia e Macedônia, aumentando temores sobre a estabilidade dos dois países balcânicos.
O presidente Bill Clinton garantiu aos americanos que apesar da repressão por forças sérvias que o poder aéreo não é capaz de impedir, albaneses étnicos em fuga estavam fortemente a favor da campanha de nove dias de ataques aéreos da Otan contra a Iugoslávia.
Mas a Macedônia anunciou que o êxodo de refugiados da província sulista sérvia estava ameaçando a estabilidade e a ordem pública.
"Estamos na Semana Santa. Bruxelas não trabalha", reclamou o vice- ministro do Exterior Boris Trajanov. "Nossos países vizinhos perderam seu senso de responsabilidade e não aceitam nem mesmo mais um refugiado - para não falar da Europa".
Na capital provincial de Kosovo, Pristina, "grupos paramilitares sérvios intensificaram sua campanha de terrorismo étnico, roubo e pilhagem", disse o porta-voz da Otan Jamie Shea. Ele afirmou que as forças sérvias estão criando um grande número de cidades fantasmas.
"É o caso de Pristina (capital da província), onde, nas últimas 24 horas, 30 mil pessoas abandonaram suas casas."
Ele acrescentou que outros 36,5 mil albaneses étnicos foram forçados na quinta-feira pelos sérvios a procurar asilo na Macedônia.
"Há hoje mais de dez quilômetros de fila, com pelo menos 25 mil pessoas aguardando, sob frio intenso, a hora de cruzar a fronteira." Na Albânia, há 150 mil refugiados.
Em um ano de conflito, 634.000 pessoas foram forçadas a abandonar suas casas em Kosovo, segundo ele.
O coronel-general Nebojsa Pavkovic, comandante das forças iugoslavas em Kosovo, disse na televisão que um grande número de civis havia sido detido por "minar as capacidades de defesa do país". Ele não deu detalhes.
A Sérvia também anunciou que estava preparando o julgamento de três soldados dos EUA capturados nas proximidades da fronteira da Macedônia com Kosovo na quarta-feira.
O tempo nublado prejudicou os ataques aéreos na noite de quinta- feira e nesta sexta-feira, mas porta-vozes da Otan disseram que armas hi-tech ainda são capazes de atingir linhas de comunicação e bases militares.
A agência de notícias iugoslava Tanjug divulgou que a Otan bombardeou arredores da cidade central kosovar de Klina, e foguetes atingiram bases em Vranje, 300 km ao sul de Belgrado.
Um míssil da Otan atingiu uma casa no sul da Sérvia, matando um civil, segundo a Tanjug.
O porta-voz da Otan David Wilby disse que a aviação da aliança intensificou o bombardeio das tropas e tanques. "Eles estão sendo forçados a esconder tanques e peças de artilharia e nessa operação de gato e rato esgotam seu precioso combustível."
Wilby confirmou a destruição de alvos perto de Belgrado e outras cidades sérvias, apesar do mau tempo.
Em Washington, o presidente americano, Bill Clinton, voltou a rejeitar a idéia de enviar tropas à região: "Vamos resolver a questão com o uso da força aérea." Ele ressaltou que o "esvaziamento" de Kosovo não ficará impune.
Em meio a esse clima, a Grã-Bretanha acusou o presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, de planejar um golpe contra o presidente Milo Djukanovic, simpático ao Ocidente.
"Ele quer substituir Djukanovic por alguém dócil", disse Edgar Buckley, porta-voz do Ministério da Defesa britânico.





