STENKOVEC, Macedônia, 10 (AE-AP) - Em sinal de crescente tensão em acampamentos superlotados, furiosos refugiados de Kosovo protestaram nesta segunda-feira (10) pelas péssimas condições e alegaram assédio da polícia em um grande campo na Macedônia. O êxodo para o norte da Albânia reduziu-se depois que a Otan promoveu estrondosos ataques aéreos nas proximidades da fronteira.
Cerca de 2.000 manifestantes do acampamento de Stenkovec I gritavam "K-L-A, K-L-A" em frente a uma delegacia de polícia macedônia, exigindo que a Otan passe a controlar o local, localizado pouco ao norte da capital Skopje. KLA é a sigla em inglês do Exército de Libertação de Kosovo (ELK).
O acampamento abriga cerca de 23.000 pessoas.
A confusão foi desencadeada pela suposta prisão e espancamento de dois refugiados pela polícia macedônia, que patrulha o campo. A multidão dispersou-se depois que funcionários da Organização das Nações Unidas (ONU) e a polícia macedônia concordaram em considerar suas reclamações.
Um oficial da polícia macedônia, que não quis se identificar, disse que as autoridades consideravam o envio de uma polícia albano-macedônia para garantir a segurança no acampamento.
Mas a resposta revoltada também sublinhou as tensões nos campos de refugiados superlotados, em um alerta para a possibilidade de mais distúrbios se a situação não melhorar.
No mês passado, o porta-voz da agência de refugiados da ONU, Kris Janowski, avisou que os acampamentos situados na Macedônia estavam "à beira de um conflito" devido às condições de superlotação.
Em Washington, o Departamento de Estado norte-americano divulgou relatório no qual informa que mais de 90% dos albaneses étnicos foram expulsos de suas casas em Kosovo por forças e civis sérvios.
Estima-se que 600.000 refugiados ainda estejam na província sérvia, lutando para sobreviver, segundo o estudo. Alguns abrigaram-se em florestas e em vales.
Outros 700.000 conseguiram instalar-se fora de Kosovo - na Albânia, Bósnia-Herzegóvina, Macedônia e Montenegro, a menor das duas repúblicas iugoslavas. Outras 130.000 pessoas abrigaram-se temporariamente em outros países.

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