Refugiado localizou Eichmann
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sábado, 26 de janeiro de 2002
France Presse 
Londres - Foi um refugiado cego, sobrevivente do campo de concentração de Dachau, e não o Serviço Secreto Israelense quem descobriu na Argentina Adolf Eichmann, responsável pela deportação de milhões de judeus para os campos de extermínio nazistas.
Durante mais de 40 anos, o mundo acreditou que foi o serviço secreto israelense (Mossad) que, com o apoio do caçador de nazistas Simon Wiesenthal, havia organizado a espetacular captura de Adolfo Eichman, afirma o correspondente do jornal britânico The Guardian (esquerda) em Buenos Aires, Uki Goni, em seu livro Como Peron trazia os criminosos nazistas para a Argentina.
Sylvia, a filha de Lothar Hermann, um socialista judeu, prisioneiro em Dachau de 1935 a 1936, era amiga do filho de Adolf Eichmann, Klaus, e ajudou seu pai a identificar o nazista que vivia na Argentina com o pseudônimo de Klement.
Lothar Hermann escreveu às autoridades alemãs em Frankfurt e foi o promotor público Fritz Bauer quem alertou diretamente o serviço de inteligência israelense. Dois agentes do Mossad enviados a Buenos Aires não se convenceram que Klement fosse Eichmann. Lothar Hermann não desanimou e, no dia 17 de outubro de 1959, escreveu a Tuviah Friedman, do Centro de Documentação de Haifa, que tinha acabado de anunciar uma recompensa de 10 mil dólares por qualquer informação que permitisse a captura de Eichmann, para dar-lhe os detalhes exatos da carteira de identidade argentina do ex-nazista.
O resto da história é conhecido: um comando do Mossad sequestrou Adolf Eichmann no dia 11 de maio de 1960 em San Fernando, um subúrbio de Buenos Aires, antes de retirá-lo clandestinamente do país.
Um ano mais tarde, no dia 31 de maio de 1962, Eichmann foi enforcado em Israel, depois de um julgamento.
Só dez anos mais tarde, em julho de 1972, Lothar Hermann recebeu finalmente sua recompensa.


