Refrigerantes Xereta cruzam fronteira; exportações podem crescer 900%
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domingo, 29 de agosto de 1999
Por Rosangela Capozoli 
São Paulo, 30 (AE) - A Refrigerantes Xereta Ltda., instalada em Tietê, interior de São Paulo, há 30 anos não sabia produzir outra coisa senão a tubaina Belvedere, em garrafas de 600 ml, e vender para toda vizinhança. Em 1989 despertou para este mercado e percebeu que poderia aumentar seus dividendos fabricando novas linhas. Foi quando, de uma só vez, desenvolveu sete produtos diferentes, com a marca Xereta, na embalagem PET.
No ano passado, foi além, lançou a nova linha - Kareta - em latas de 350 ml e cruzou fronteiras. Em março, colocou os primeiros engradados de bebidas no mercado externo. Cerca de 80% das vendas foram para o Paraguai e o restante para os demais países do Mercosul. O primeiro embarque, um volume ainda tímido, selou os negócios com a venda de 30 mil caixas, com 12 latas de 350 ml cada, em março de 1998. Ao longo de 1998 mais 60 mil caixas foram embarcadas.
Os sabores guaraná, limão e tangerina - da linha Kareta - foram aprovados pelos consumidores. Prova disso é que a estimativa para este ano é crescer 900% nas vendas externas, exportando 600 mil caixas para aquele mercado. "A linha Kareta está fazendo sucesso no Mercosul. Só em março deste ano foram exportadas mais de 300 mil caixas", comemora Cid Gallo, gerente de marketing.
Se o mercado externo ganha fôlego o doméstico não fica atrás. Novas estratégias estão sendo adotadas pela empresa com um único objetivo: conquistar novos consumidores. Para ganhar mais depressa as prateleiras dos supermercados a Xereta está mudando a política de distribuição. Cerca de 60% das vendas, que até 1998 eram feitas pelos distribuidores, estão meia a meia neste ano. "Vamos reduzir 10% os negócios via distribuição. As vendas diretas que eram de 40% passam para 50%", explica.
A nova estratégia irá garantir a Xereta negociar diretamente com o varejo permitindo redução de 3% nos custos, o que irá significar queda nos preços para o consumidor final, atraindo varejistas e garantindo a presença do produto em um número cada vez maior de pontos de venda. "Esta medida será cada vez mais intensificada, mas isso não significa que iremos matar o distribuidor", explica.
Os 180 depósitos espalhados pelo país permitem a Xereta abastecer além do Estado de São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Distrito Federal, Minas Gerais e Roraima. A maior parte da entrega foi terceirizada. A empresa conta hoje com sete caminhões. Dos R$ 3 milhões que serão investidos neste ano, parte será empregada no aumento da frota. O restante em novos equipamentos.
A produção deste ano deverá ter acréscimo de 30% ante os 18 milhões de litros fabricados no ano passado. O faturamento tende aumentar em torno de 20%, considerado muito alto, levando em conta que 1998 fechou com incremento de 36% na receita sobre o ano anterior, explica Gallo. Para o próximo ano, a Xereta irá desembolsar mais R$ 2,5 milhões no desenvolvimento de outros produtos e expansão da unidade fabril.
"A projeção é de aumento de 20% nas vendas e receita no ano 2000", adianta. A expansão nos negócios vai significar, ainda neste semestre, a contração de 40 novos empregados somado aos 250 já trabalhando desde o príncípio de 1999. A Xereta oferece os sabores guaraná, maçã, limão, laranja, cola, tubaína e uva. "Essa linha é mais sofisticada porque o nível de suco de fruta é mais elevado, enquanto a Kareta está dentro dos padrões exigidos por lei", afirma. Os preços no varejo estão em torno de R$ 0,89 e R$ 0,72, respectivamente.


