Imagem ilustrativa da imagem Refrigerante está no topo da preferência dos adolescentes
| Foto: Fotos: Ricardo Chicarelli
Bebidas gaseificadas reduzem a absorção do cálcio e do ferro, importantes na fase de crescimento


Os adolescentes entre 12 e 17 anos da Região Sul são os que mais consomem refrigerante no País, segundo pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Os dados são do Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes (Erica), que ouviu 75 mil alunos de 1.247 escolas, em 124 municípios, e apontou que na Região Sul 51,2% dos entrevistados consomem a bebida e que a fruta está em inserida na dieta de apenas 15,7%.
Quando analisados os dados nacionais, o refrigerante aparece como o sexto hábito alimentar (45%) entre os 20 itens mais consumidos. O estudo traz ainda um índice de 8,4% de obesidade entre meninos e meninas de 12 a 17 anos, e que 56,6% dos adolescentes fazem a refeição em frente à TV.
O Erica apontou que a dieta dos adolescentes brasileiros é caracterizada pelo consumo de alimentos tradicionais, como arroz (82,0%) e feijão (68,0%); alimentos ultraprocessados, como salgados fritos e assados (21,88%); e refrigerantes.
A endocrinologista pediátrica Myrna Campagnoli chama a atenção para o perigo de substituir a água pela bebida açucarada. O excesso de açúcar no organismo provoca sobrepeso, pré-diabetes e diabetes tipo 2. Há entre 40 e 45 gramas de açúcar em 200 ml de refrigerante.
Outro problema levantado pela médica é o o alto teor de sódio encontrado nas bebidas diet. O consumo excessivo pode aumentar o risco de problemas renais e hipertensão. As bebidas gaseificadas também reduzem a absorção do cálcio e do ferro, importantes na fase de crescimento dos adolescentes. A falta deles pode provocar anemia e, em casos mais graves, osteoporose.
Um estudo científico recente identificou que o consumo de refrigerantes de cola provoca uma mudança na flora bacteriana do intestino, aumentando o risco de obesidade e até de câncer de intestino. "Esse é um estudo recente, ainda não sabemos as causas dessa mudança e nem porque isso ocorre apenas com o refrigerante de cola", comentou a médica.
A endocrinologista alerta para outra bebida tão perigosa quanto o refrigerante: o suco industrializado. "Os sucos integrais são bons e tem havido um esforço da indústria alimentícia de aumentar a quantidade de fruta nos sucos. O problema são os tipo néctar, que tem pouca fruta e altas concentrações de açúcar", alertou Myrna.
Uma dica é consultar o rótulo do produto. "O primeiro ingrediente que aparece é o que tem em maior concentração. Se não for a fruta não é suco, é néctar. E se o açúcar for o primeiro é mais preocupante ainda."

SEM FRUTAS
As frutas passam longe do cardápio dos adolescentes. Elas não entraram na lista dos 20 alimentos mais consumidos pelos brasileirinhos em geral. Apenas 18% dos meninos de 12 e 13 anos afirmaram que comem algum tipo de fruta. Na Região Sul, a fruta aparece no fim na lista. É o último dos 20 itens (15,7%), perdendo longe para os doces e sobremesas (45,9%).
O café (64%) ficou entre os cinco alimentos mais consumidos somente na Região Norte. O feijão foi o segundo alimento mais consumido nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. As hortaliças (54,0%) estão entre os cinco somente no Centro-Oeste.
A médica ressalta que os alimentos que aparecem no topo da lista do Erica são calóricos, com alto teor de açúcar e gordura e baixa quantidade de fibras. Myrna defende a necessidade das crianças receberem mais informações claras e adequadas à idade delas sobre a importância das escolhas saudáveis e como isso fará diferença na vida delas. "A família também deve estar vigilante ao que as crianças consomem." A sugestão da médica é que a educação nutricional faça parte do conteúdo de sala de aula. (Com Agências)

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