Reformas neoliberais em fase de esgotamento na AL
Santiago, 09 (AE-IPS) - A América Latina deve "reformar as reformas" para superar a desilusão que reina hoje diante dos efeitos das profundas mudanças de inspiração neoliberal que a região experimentou nos últimos anos.
Esta é, em síntese, a proposta do economista chileno Ricardo Ffrench-Davis.
O economista lançou, na semana passada em Santiago (Chile), seu livro "Macroeconomia, comércio e finanças para reformar as reformas na América Latina".
A obra foi apresentada na sede da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal), da qual Ffrench-Davis é assessor principal. Segundo o secretário executivo da Cepal, José Antonio Ocampo, Ffrench-Davis "tem o mérito de ter advertido no começo desta década sobre os riscos do capital volátil que em 94 fez explodir a crise mexicana".
Ffrench-Davis lembra que na América Latina se observa atualmente "uma sensação generalizada de insatisfação entre a população e os setores sociais, que contrasta com o entusiasmo do começo da década". E acrescenta: "a distribuição de renda tem piorado, assim como as oportunidades, refletida na crise argentina e mexicana e a atual crise internacional iniciada na ásia em 97".
O economista diz que o entusiasmo pela proposta neoliberal do começo dos anos 90 contrasta hoje com os resultados pobres: entre 1990 e 1998 a região cresceu a uma média anual de 3,6%, e com a queda deste ano a média do decênio será de 3%. Estas taxas são modestas diante do crescimento médio anual de 5,5% que a América Latina teve entre 1950 e 1980. "As atuais reformas devem ser reformadas por meio de um enfoque integral que aponte para uma maior equidade e desenvolvimento social e um melhor ambiente para a construção da democracia".
Os erros, aponta Ffrench-Davis, consistem em uma "fé extrema do neoliberalismo na eficiência do setor privado tradicional e na desconfiança também extrema no setor público e nas formas não tradicionais de organização privada".





