Reformas não criam empregos na América Latina, diz OIT
São Paulo, 23 (AE-Dow Jones) - O crescimento econômico e a estabilidade de preços na América Latina e no Caribe não conseguiram reduzir o desemprego nem elevar os níveis salariais, segundo relatório das Nações Unidas divulgado em Genebra. O desenvolvimento na região pode estagnar se não forem feitos esforços para barrar o aumento no desemprego e a instabilidade no trabalho, disse Juan Somavia, do Chile, diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em seu relatório de 149 páginas.
No Brasil, Argentina, México, Uruguai e Venezuela, cujo processo de reforma é mais recente, "o desemprego, o trabalho informal e o trabalho precário aumentaram", afirma o estudo. Entre os principais fatores estão os drásticos cortes de vagas no setor público e a limitada contribuição do setor privado à criação de empregos, acrescenta. No Chile, Bolívia, Costa Rica e Colômbia, em contrapartida, as condições de trabalho melhoraram, com redução do desemprego e aumento dos salários.
O estudo informa que o desemprego este ano deve atingir 9,5% da população economicamente ativa da região - taxa mais elevada do que a registrada durante a crise da dívida na década de 80 -, apesar de uma década de reforma econômica e modernização. No ano passado, a taxa de desemprego na região foi de 8%.
A desaceleração econômica global vai reduzir ainda mais o crescimento na região, segundo a OIT, que projeta contração de 0,4% para a economia regional.
"Em 1998 quase todos os novos empregos foram criados no setor informal, no qual o emprego aumentou 4,6% por ano", afirma o estudo. "Infelizmente, os trabalhadores deste setor quase nunca estão protegidos por qualquer tipo de legislação, nem podem se filiar a sindicatos reconhecidos que protegeriam seus interesses", acrescenta.
A participação do setor privado no emprego total caiu para 28% no ano passado, de 32% em 1990, informa o estudo, apontando uma transferência de "empregos modernos para o setor informal". Segundo Somavia, "a democria e as economias abertas vão perder sua legitimidade no longo prazo se os benefícios que oferecem não foram partilhados igualmente". O relatório será discutido num encontro de 35 países da região a partir de amanhã em Lima, no Peru.





