Reforma tributária pode estabilizar economia, diz Bezerra
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quinta-feira, 22 de julho de 1999
Por Juliano de Souza (especial para a AE) 
Natal, 23 (AE) - O senador Fernando Bezerra (PMDB-RN), futuro ministro da Integração Nacional, disse em discurso, ontem (22), a lideranças políticas e empresariais do Rio Grande do Norte, que não adianta sonhar com o crescimento econômico do País com a atual taxa de juros. "Nada será possível fazer neste país, se não podermos o viabilizar", salientou o senador. Bezerra mencionou como saídas para concretizar a estabilidade econômica e possibilitar um crescimento sustentável as reformas tributária e da legislação trabalhista e a aprovação urgente da Lei de Responsabilidade Fiscal. "Sem essas medidas concretas, não há como promover a redução das diferenças sociais", acredita.
O senador adiantou que estará em Brasília na segunda-feira (26), fechando o texto da medida provisória (MP) que vai criar o Ministério da Integração Nacional. "Tão logo o Congresso reinicie seus trabalhos, iremos aprovar a medida", afirma, ao acrescentar que a posse deve ocorrer entre os dias 2 e 3. "Até o final do ano, deveremos chegar a uma taxa de juros de 10%, como disse anteriormente o ministro Pedro Malan (Fazenda)", destacou o futuro ministro, ao reafirmar a crença de que o Congresso deve votar a reforma tributária em agosto.
Quanto ao papel no ministério, Bezerra lembrou que o presidente Fernando Henrique Cardoso lhe comunicou que a idéia não é fazer uma pasta para o desenvolvimento regional e sim ter como principal tarefa integrar o Nordeste ao resto do País.
"A responsabilidade de ser ministro foi uma coisa que não procurei, fui convidado e não me negarei a servir meu país e minha região", reforçou, ao deixar claro que não teria sentido se afastar do Senado e da presidência da Confederação Nacional da Indústria (CNI), se não fosse para ajudar ao desenvolvimento do Estado onde nasceu.
Bezerra lembrou mais uma vez que um dos pontos principais da gestão será a retomada do projeto de transposição das águas do Rio São Francisco para abastecer quatro Estados nordestinos. A oposição ao senador no Rio Grande do Norte também defende o apoio de todas as correntes políticas ao novo ministro
como frisou o senador Geraldo Melo (PSDB-RN), vice-presidente do Senado.
Mesmo tendo manisfestado várias vezes apoio ao deputado federal Henrique Alves (PMDB-RN) para o governo do Estado, Bezerra admite ser candidato do PMDB ao governo estadual na eleição de 2002. "Não sou candidato ao governo do Estado, mas as circunstâncias políticas podem me levar a isso", afirmou o senador peemedebista. A atuação no ministério pode definir a situação.


