Buenos Aires, 25 (AE-ANSA) - O governo do presidente Fernando de la Rúa, da Argentina, tem a partir de hoje (25) uma difícil missão: convencer o Senado, controlado pelos peronistas, a aprovar seu projeto de reforma trabalhista.
O texto passou ontem à noite pela Câmara dos Deputados. Após debate de seis horas, 137 deputados disseram sim, 93 optaram pelo não e três se abstiveram.
O documento deve ser analisado no mês que vem no Senado, onde o peronismo tem 37 cadeiras, a Aliança, do governo, 21, e os grupos provinciais 14.
Para que o projeto passasse na Câmara, a equipe de De la Rúa negociou vários pontos do texto, dentre os quais o que reduzia o poder da burocracia sindical peronista, que controla a Confederação Geral do Trabalho (CGT).
Mesmo assim, embora tendo a promessa dos deputados peronistas de que o apoiariam, De la Rúa assistiu, na última hora, a uma mudança de postura. Todos os deputados peronistas votaram contra o projeto.
Por intermédio do ministro do Trabalho, Alberto Flamarique, o governo conseguiu um acordo de última hora com a cúpula da CGT para evitar uma greve geral marcada para ontem. Conseguiu em parte. É que um grupo liderado pelo Sindicato dos Caminhoneiros, tendo à frente o sindicalista Hugo Moyano, insistiu na paralisação.
Ontem, as atividades pararam parcialmente em Buenos Aires. No final do dia foi realizado um ato de protesto na Praça de Maio que reuniu 20.000 pessoas.
Se o Senado rejeitar o projeto, este volta para a Câmara, onde a Aliança tem a maioria necessária para converter o texto da reforma em lei.
Esta, contudo, é uma situação que De la Rúa quer evitar. Negociador nato, e mesmo reconhecendo que a CGT já não tem o poder de mobilização de outrora, o novo presidente quer evitar, se possível, um clima de conflito com a oposição.

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