Reforma pode "empacar" sem negociação com governadores
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quarta-feira, 29 de setembro de 1999
por Rosangela Capozoli 
São Paulo, 30 (AE) - O ex-ministro da Fazenda, Mailson da Nóbrega, disse há pouco que a reforma tributária corre o sério risco de "empacar" se não houver negociação direta com os governadores de Estado. "O eixo é a Federação e não o Congresso", disse Mailson.
Segundo ele, há três pontos chaves que terão que ser negociados exaustivamente. O primeiro explica, é a compensação de perdas. "O Estado de São Paulo, por exemplo, pode perder 18% da arrecadação. Se não houver compensação torna-se impossível gerir as receitas", afirmou.
Autonomia e participação nas decisões, a seu ver, seria outro ponto importante a ser discutido. Por último, ele citou a preservação de incentivos aos investimentos. Mailson participa do Seminário Brasil 2000: Economia e Mercado e Mercado Consumidor, no Maksoud Plaza, em São Paulo. Ele acrescentou ainda que a previdência, a curto prazo, corre riscos de déficits explosivos, lembrando que esta responde por 5% do PIB, o que significa uma despesa da ordem de R$100 bilhões
quando a arrecadação é exatamente a metade, ou seja, R$50 bilhões. "O sistema previdenciário é um posso de previlégios", afirmou.
Ao traçar um paralelo entre o sistema privado e o governamental, Mailson ressaltou que, enquanto o primeiro tem um gasto da ordem de R$10 bilhões, com 18 milhões de beneficiários, o governamental, ao contrário, tem uma despesa de quatro vezes maior, somando R$40 bilhões, com apenas três milhões de beneficiários.
Mailson criticou a média de aposentadoria do Congresso que é hoje de R$ 7,2 mil/mês e, corresponde a US4,2 mil. "Enquanto na Alemanha e na França a aposentadoria máxima é de US$3,2 mil a do Brasil chega a esses extremos", criticou. O ex-ministro lembro ainda, que 47% dos gastos previdenciários do Brasil se destinam aos 20% mais ricos do País. "Isso é um verdadeiro absurdo", lamentou.


