Reforma na PEL 2 esvazia carceragens de Londrina
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terça-feira, 20 de setembro de 2016
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 
Quase um ano depois de passar por uma grave rebelião que terminou com a morte de um preso e destruições com prejuízos na casa de R$ 3 milhões, a segunda unidade da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL 2) começa a retomar a rotina normal. Com reformas promovidas na Ala 1, totalmente destruída na rebelião, a unidade prisional conseguiu esvaziar as carceragens dos distritos policiais de Londrina.
Na última semana, 60 presos do 4º Distrito Policial deixaram as instalações precárias na Avenida Dez de Dezembro, no Jardim Europa, e ingressaram no sistema penal do Estado. Há cerca de um mês, 110 presos do 5º Distrito Policial, na zona norte, já haviam sido levados para a PEL 2. Atualmente, a penitenciária abriga 930 presos. Segundo o diretor da PEL 2, Reginaldo Peixoto, não há superlotação. "A medida que as celas são reformadas, vamos absorvendo a demanda das delegacias", explica.
Peixoto, que está há quatro meses à frente da unidade, calcula que após o término das reformas, mais 150 vagas devem ser abertas. A segunda fase de reformas já teve o processo licitatório concluído. A empresa vencedora deve começar as obras no próximo mês. O prazo para a conclusão dos serviços é de cinco meses. "Os danos causados pela rebelião foram muito grandes. Nesses meses, já restabelecemos o setor de enfermagem, e várias salas administrativas. Agora, com o término do pátio central, queremos normalizar as visitas, que seguem reduzidas por conta da falta de estrutura", conta.
Para o próximo mês, o objetivo é retomar as aulas na PEL 2. "Como a educação é parte fundamental na ressocialização, estamos trabalhando para que cerca de 500 detentos retomem os estudos já no próximo mês", planeja. De acordo com o diretor, os recursos para a reconstrução da PEL 2 foram provenientes de fundos rotativos do Estado e da ajuda da comunidade. "O engajamento da sociedade, dos conselhos atuantes, foram decisivos para que pudéssemos retomar a normalidade", agradece. "Hoje não temos casos graves de indisciplina e a situação é bem mais tranquila."
De acordo com a Secretaria Estadual de Segurança Pública e Administração Penitenciária (Sesp), com o esvaziamento dos presos nos distritos, restaram apenas 54 detentas na carceragem feminina do 3º Distrito Policial, na zona oeste, e cerca de 30 presos no Centro de Triagem, na zona sul. Segundo a Sesp, os presos desta unidade são rotativos, pois não permanecem encarcerados por mais de cinco dias. Para a redução na carceragem feminina, a Sesp aguarda um mutirão da Justiça programado para os próximos meses, que deverá rever a situação das detentas.
O delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, Sebastião Ramos dos Santos Neto, considera um avanço significativo e um momento histórico para a Polícia Civil em Londrina. Esse esvaziamento dos distritos propicia que possamos voltar a cumprir nosso principal papel, que é de investigar crimes", comemora. Segundo o delegado, algumas readequações de servidores já estão em curso para melhor atender a sociedade. "Agora teremos uma sobra, ainda que pequena, de efetivo para dar conta do grande volume de serviço."


