Brasília, 14 (AE)- Está praticamente definida a reforma ministerial. O presidente Fernando Henrique Cardoso está operando a "sintonia fina" e poderá anunciar o novo ministério entre hoje e amanhã. A radiografia do jogo de xadrez, neste momento, indica que devem mesmo deixar o governo os ministros do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Celso Lafer, da Agricultura, Francisco Turra, da Justiça, Renan Calheiros, e da Ciência e Tecnologia, Bresser Pereira. Não está descartada a possibilidade de extinção de ministérios, mas está confirmada a intenção do presidente Fernando Henrique Cardoso de extinguir as secretarias de governo que criou ao assumir seu segundo mandato.
Segundo fontes do governo, a secretaria de Desenvolvimento Urbano, hoje ocupada pelo ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Sérgio Cutolo, poderá ser transformada no já cobiçado ministério do Desenvolvimento Urbano. A pretensão do presidente de promover uma reforma mais ampla objetiva conferir maior racionalidade à ação do governo. Por isso, está praticamente definida uma reorganização de setores. Assim, por exemplo, os órgãos ligados à área de comércio exterior poderão ser abrigados no organograma do ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio que teria, a partir de agora, um novo nome: ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, com a consequente extinção da Câmara de Comércio Exterior (Camex).
Os estudos também são na direção de melhor organizar a discussão sobre o setor agrícola. Neste contexto, o ministério da Agricultura absorveria as áreas de política de café e cana de açúcar, que hoje estão na esfera do ministério do Desenvolvimento. No governo, os nomes dos ministeriáveis é mantido sob sigilo. "O presidente está tranquilo e tem em mãos o comando da mudança ministerial", ponderou um integrante do governo. A necessidade de manter sigilo sobre quem vem para o governo faz parte da negociação política que envolve a discussão do novo ministério. Afinal, como lembrou uma fonte, o jogo ainda está sendo jogado, e a alteração de cada peça implica na reorganização política da jogada seguinte.

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