Nova York, 11 (AE) - A reforma fiscal, a oposição dos governadores e o fraco desempenho da balança comercial brasileira estão entre as principais preocupações dos banqueiros e empresários americanos que participaram do jantar promovido pelo The Economic Club ontem (10) a noite em Nova York com o presidente Fernando Henrique Cardoso. Perguntado pelo economista-chefe do banco americano Chase Manhattan, John Lipsky
sobre os próximos passos do ajuste fiscal, FHC respondeu: "O Congresso já forneceu as ferramentas necessárias. Agora é minha responsabilidade fazer os ajustes." O presidente brasileiro disse que um dos próximos objetivos do governo é reduzir os impostos que limitam a capacidade exportadora do país. "Fizemos cortes muito difíceis, mas ainda há mais para ser feito." De acordo com Fernando Henrique, um dos maiores desafios é prosseguir com a reforma do sistema previdenciário. Ele lembrou que o governo tem 500.000 funcionários públicos ativos e 900.000 aposentados. Enquanto a contribuição dos ativos alcançou R$ 2 bilhões no ano passado, o pagamento de benefícios chegou a R$ 21 bilhões. "Ainda temos déficits para corrigir, mas o problema previdenciário não é só brasileiro. É mundial", disse. "Vocês não podem pensar que os brasileiros são preguiçosos na realização das reformas. Estou fazendo minha parte."
A respeito do decreto da moratória da dívida estadual do governador de Minas Gerais, Itamar Franco, que foi lembrada como exemplo da falta de apoio dos governos estaduais, o presidente respondeu que "é um barullho político, mas não um problema fiscal", já que o governo federal resolveu o problema deixando de repassar a arrecadação de impostos ao estado. "Nós convidamos os governadores para jantar e conversamos individualmente sobre a situação de cada unidade da federação." Questionado sobre o baixo desempenho da balança comercial brasileira - a expectativa para este ano caiu para um superávit de US$ 7 bilhões, ante superávit de US$ 11 bilhões firmado com o Fundo Monetário Internacional -, Fernando Henrique deu as seguintes explicações: queda nos preços dos commodities exportados pelo Brasil de 18% entre 1996 e 1998; recuperação maior que o esperado do mercado interno, "o que fez o empresário ter que decidir entre vender no país e exportar", e demora dos industrias brasileiros em conseguirem abrir uma "janela nos mercados internacionais." O presidente Fernando Henrique Cardoso disse ainda que os países do Mercosul esperam contar com o apoio dos Estados Unidos para derrubar as barreiras comerciais impostas pela Europa em relação à importação de produtos agrícolas, por exemplo. Cutucado sobre uma possível dolarização do Cone Sul, alternativa já estudada pela vizinha Argentina, o presidente disse que "a Argentina deveria evitar a adoção do dólar como moeda, a não ser que possa influenciar no Fed" (o Federal Reserv, banco central americano).

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