O ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, anunciou ontem, em Brasília, a suspensão da reforma agrária em quatro estados em que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocupa sedes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). A decisão atinge Pernambuco, Goiás, Rio Grande do Sul e Mato Grosso. Jungmann também avisou aos superintendentes que não negociem quaisquer reivindicações com o MST. ‘‘Qualquer superintendente que negociar durante a ocupação estará automaticamente exonerado’’, disse o ministro.
Jungmann disse que o MST, ao invadir sedes e tomar servidores como reféns não está agindo como movimento que reivindica direitos. ‘‘Quem sequestra, quem faz reféns e desrespeita os direitos humanos deixa de ser movimento social e se transforma em banditismo, em bandido. E como bandido deve ser tratado e julgado pela sociedade’’, disse o ministro.
A suspensão foi determinada com base na portaria interministerial 325, de abril do ano passado, assinada pelos ministros de Política Fundiária e da Justiça . A decisão, segundo o ministro, significa o atraso no assentamento de 20 mil famílias sem-terra.
Somente a partir da desocupação das sedes é que os superintendestes estarão autorizados atender às reivindicações. O ministro considerou mais grave a situação em Pernambuco, onde o MST invadiu a sede do Incra e fez 100 reféns, 80 funcionários do órgão e mais 20 pessoas contratadas por empresas prestadoras de serviços.
Raul Jungmann disse que o MST está desrespeitando os direitos humanos. O ministro telefonou para a Secretaria Nacional dos Direitos Humanos e pediu ao secretário José Gregori para, assim que for interrompida a invasão, conversar com os servidores do Incra e pedir que eles façam um depoimento conjunto na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.
O ministro pediu à Polícia Federal que instaure inquérito policial para responsabilizar e punir os invasores da sede do Incra em Pernambuco. O ministro solicitou ainda à PF que tente de alguma forma resgatar os funcionários tomados como reféns. O governo está entrando na Justiça com ações de reintegração de posse. A partir dos inquéritos instaurados pela Polícia Federal, o governo pretende punir os responsáveis por eventuais danos a bens móveis e imóveis.Arquivo FolhaLinha duraRaul Jungmann proibiu superintendentes do Incra de negociar:‘‘Quem sequestra, quem faz reféns é bandido’’Hugo Marques
Especial para a AE

mockup