Reforma do Judiciário fica para agosto
Brasília, 16 (AE) - Depois de dois dias trocando ofensas, os presidentes da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), silenciaram hoje suas divergências em torno da reforma do Judiciário. A trégua entre os dois políticos, contudo, não favoreceu o andamento da reforma
que teve o seu calendário oficialmente modificado. Votação, só depois do recesso de julho.
Por decisão de Michel Temer, a comissão especial que aprecia a reforma votará o parecer apresentado pelo deputado Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) apenas em agosto, quando os deputados retornarem das férias. "Esse assunto é muito sério e técnico e não pode haver condimento político na discussão", justificou o presidente da Câmara. O cronograma inicial estabelecia um andamento mais rápido para a reforma do Judiciário, que deveria ser votada em primeiro turno no plenário da Câmara até o final deste mês.
As divergências em torno da proposta de reforma continuam e não opõem apenas PMDB e PFL. Os deputados que integram a comissão especial também não encontraram consenso sobre a reformulação da Justiça do Trabalho, ponto mais polêmico da reforma. Persistem, ainda, divergências quanto à composição do Conselho Nacional de Justiça, órgão que será responsável pelo controle externo do Judiciário. "Não há consenso em quase nada: votar alguma coisa agora não é possível", disse o relator.
Segundo Ferreira, seria impossível votar a emenda na comissão especial, nesse momento, "nem que ACM e Temer brindem com champanhe sua reconcialiação no avião para Portugal", referindo-se à viagem que os dois políticos fazem hoje. O deputado tucano reconheceu que seu parecer "é muito polêmico" e que já esperava toda essa comoção. "Melhor que haja discussão política, provando que dessa vez dão a importância devida ao assunto." A reforma do Judiciário vem se arrastando pela Câmara há cerca de quatro anos, período em que sequer foi discutida pela comissão especial. O parecer do relator da proposta que tramitou na legislatura passada, deputado Jairo Carneiro (PFL-BA), não foi sequer lido.Por Liege Albuquerque e Rosa Costa ---------- Atenção: Substitui JUDICIARIO/REFORMA, da pauta prévia. ----------





