Brasília, 27 (AE) - A necessidade de reforma do Judiciário e os dilemas trazidos pela globalização da economia foram dois dos temas recorrentes dos discursos da cerimônia de posse do novo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Carlos Velloso, e do vice-presidente da instituição, Marco Aurélio de Mello. Falando em nome do STF, o ministro Octávio Gallotti afirmou que o Brasil e o mundo "vivem um momento delicado para as institituições e se redobram as tensões sobre a ordem política e o Poder Judiciário, ressuscitando as tentações de buscar atalhos para a solução dos problemas".
Segundo Gallotti, "estão votando a despontar principalmente tentativas de se tomarem caminhos alternativos do direito em que critérios pragmáticos ou políticos prevalecem sobre a ordem jurídica". O ministro elogiou a figura do ministro Carlos Velloso como a de alguém "que acredita na pujança do direito e que saberá defender as instituições". O procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, também em discurso, ressaltou igualmente a necessidade de uma reforma do Poder Judiciário. O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Reginaldo de Castro
afirmou que, nesse processo de reforma, a sociedade não pode ser um agente passivo e precisa interferir no debate.
Ele citou pesquisa com jovens no Rio de Janeiro divulgada recentemente na imprensa, em que se verificou a preferência por soluções autoritárias, como um dos desafios a serem enfrentados pelo Brasil. Castro disse que a reforma do Judiciário é um dos caminhos para tornar a Justiça mais eficiente e para combater a impunidade. Ele defendeu, também, a transparência do Poder Judiciário. "Não há como imaginar, hoje, instituições impermeáveis à sociedade", afirmou.
Da solenidade de posse estão participando, entre outros, o presidente Fernando Henrique Cardoso e o ex-presidente e atual governador de Minas Gerais, Itamar Franco.

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