Reforma do ensino médio será votada em 1º de junho
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segunda-feira, 04 de maio de 1998
Sônia Cristina Silva Agência Estado 
A proposta de reforma do ensino médio, para tornar o currículo do 2º grau mais flexível, será votada em 1º de junho pelo Conselho Nacional de Educação (CNE). O novo currículo será elaborado com base em áreas de conhecimento de modo a oferecer ao aluno uma formação geral para o mercado de trabalho ou para a continuidade dos estudos. Depois de homologada pelo ministro da Educação, a reforma começa a ser implantada no próximo ano letivo.
A relatora da proposta na Câmara de Educação Básica, Guiomar Namo de Mello, decidiu discutir o assunto em apenas mais duas audiências públicas, antes de levar o texto a voto na Câmara de Educação Básica do Conselho. Pela proposta, o currículo será elaborado com base em três áreas de conhecimento: linguagens e códigos (onde entram disciplinas como língua portuguesa e estrangeira, artes e música), ciências de natureza (como biologia, física e química) e matemática, além de ciências humanas, onde deverão ser incluídos temas como história, sociologia e filosofia.
De acordo com a relatora, a proposta é flexível por permitir que a escola decida como organizar o currículo, respeitando a base comum e buscando as habilidades mínimas requeridas para um estudante que conclui o 2º grau. Espera-se, por exemplo, que os alunos ao final do curso tenham capacidade de expressão e intimidade com os vários tipos de linguagem, que sejam criativos e capazes de solucionar problemas. Dessa forma, eles estarão habilitado a enfrentar exigências comuns a todas as profissões ou preparados para continuar aprendendo, explicou Guiomar.
Para isso, segundo ela, a reforma do ensino médio prevê o fim dos currículos enciclopédicos e de conceitos decorados isoladamente. Esses conceitos transmitidos em sala de aula devem ter um significado para o aluno e uma aplicabilidade na vida prática, diz. O aluno deve ser estimulado, por exemplo, a discutir, na aula de física, porque o prédio cai. Ao estudar o aparelho reprodutor, deve entender o que se passa com seu próprio corpo.
Para fazer o aluno aprender a aprender, Guiomar acha que as escolas vão precisar usar também a criatividade, trabalhar em grupo e usar projetos para resolução de problemas, com base no que é estudado em sala de aula. A reforma dá uma possibilidade imensa porque não engessa a proposta pedagógica da escola, argumenta a relatora. Hoje a Câmara de Ensino Básico faz um dos últimos debates sobre a proposta.


