Rio - Apesar do elevado número de homicídios registrados durante o carnaval 90, do sábado à terça-feira o secretário de Segurança Pública, coronel Josias Quintal, voltou a defender ontem a manutenção das Forças Armadas nas ruas do Rio ''por tempo indeterminado'', pois, segundo ele, as tropas federais dão à população ''maior sensação de segurança''. Ontem, o Comando Militar do Leste (CML) informou que os 3 mil militares continuariam trabalhando, à espera de uma decisão do governo federal sobre a duração da operação.
O crescimento do número de homicídios nos quatro dias de carnaval no Estado foi de 17%. As lesões corporais dolosas também subiram de 2002 para 2003, de 671 para 747 (11,3%). O volume de roubos e furtos também foi superior ao do ano passado. Os roubos a estabelecimentos comerciais foram os que mais cresceram - passaram de 36, em 2002, para 51, este ano. A zona oeste da capital liderou as ocorrências.
A área do Sambódromo também foi responsável por parte dos números, principalmente em relação aos assaltos, segundo Sérgio Caldas, assessor de planejamento da Polícia Civil. Não foram divulgados os números referentes à Marquês de Sapucaí.
O reforço no policiamento não foi suficiente para aumentar o número de prisões no Estado, que foi 28% menor do que no ano passado. A secretaria de Segurança credita o decréscimo ao fato de os bandidos terem fugido por causa da presença ostensiva da polícia.
O secretário disse que já previa um aumento da criminalidade no Rio e, por isso, havia pedido desde o primeiro dia de governo a ajuda das Forças Armadas. ''Desejo que fiquem até que seja revertido esse quadro de insegurança que se instalou no Rio'', disse Quintal.
Ele disse ainda que os homicídios são difíceis de coibir porque ''quando alguém se predispõe a matar um desafeto, não é a presença da força que vai impedir''. Josias Quintal disse que a operação Rio Seguro das polícias Civil e Militar, responsável pela ocupação dos morros e aumento do policiamento em Bangu 1, ganha novo fôlego depois do carnaval.

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