Itu, SP, 22 (AE) - Cinco presos e um policial civil foram torturados durante uma rebelião de mais de nove horas na Cadeia Pública de Itu, a 98 quilômetros de São Paulo, que terminou na manhã de hoje. Um dos reféns, o detento José Márcio Félix, foi ferido com cerca de 20 golpes de estiletes na frente das câmeras de televisão. A cadeia tem capacidade para 48 presos, mas abriga 130.
A revolta começou às 21 horas de ontem (21), quando seis líderes da cadeia tentaram fugir. Impedidos pela vigilância do prisão, tomaram o carcereiro José Lucas Ramos como refém e soltaram os outros detentos. Outros cinco presos que estavam na cela destinada aos jurados de morte, o chamado "seguro", também foram feitos reféns.
Os líderes entregaram ao delegado Moacir Rodrigues Mendonça, encarregado da cadeia, uma lista de exigências em troca da libertação dos reféns. Eles queriam dois celulares, duas pistolas de 9 milímetros, uma metralhadora, duas espingardas calibre 12, quatro revólveres, 6 coletes à prova de balas, 11 caixas de munição, além de quatro veículos Tempra de 16 válvulas. Depois, exigiram a presença da imprensa e começaram a torturar os reféns.
Por exigência dos rebelados, o juiz corregedor José Fernando Azevedo Minhoto participou das negociações. Os líderes queriam a garantia de transferência para outras cadeias. Às 6h30 de hoje, os amotinados soltaram os reféns e voltaram para as celas. Na vistoria, foram apreendidos seis estiletes.
O delegado disse que está tentando, juntamente com o juiz- corregedor, a remoção dos presos já condenados para outras unidades do sistema penitenciário.

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