São paulo, 25 (AE) - O monitor Roberto Brasil, de 48 anos, teve seu corpo enrolado duas vezes por cobertores nas 11 horas que permaneceu como refém dos menores. As mantas não serviam para aquecê-lo. Banhadas de álcool, eram o aviso de que, caso os infratores não conseguissem o que pleiteavam, morreria. "Eu estava escalado para morrer; me disseram no começo de tudo", contou, horrorizado.
A escolha deu-se por acaso. "Eles olharam para mim e decidiram que era eu". Brasil livrou-se do fardo com muita conversa. E depois de muito apanhar. Tinha escoriações na cabeça
dedos da mão quebrados, cortes no rosto. Descreveu-se a si próprio e sentiu-se um privilegiado. "Tinha colegas que, além de espancados, recebiam estiletadas constantes. "Os menores não tinham dó; era cano até virar papa".
Desde que começou a trabalhar como monitor, há seis anos
Brasil passara por 20 rebeliões - nenhuma como essa. "Estou psicologicamente zero; por mais que fale, nunca vou conseguir descrever as cenas". (Gabriela Carelli)

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