Rio, 13 (AE) - Integrantes da coordenação da tendência Refazendo, do PT, admitem a possibilidade de lançar o ex-deputado Vladimir Palmeira a prefeito do Rio em lugar do deputado estadual Chico Alencar, até agora considerado postulante natural do grupo para concorrer na prévia petista com a vice-governadora Benedita da Silva, da Articulação.
Há um ano e meio, Palmeira teve a candidatura a governador do Rio cassada pelo comando nacional do PT. Outro lembrado é o deputado Milton Temer. Por enquanto, a candidatura de Chico Alencar continua, a de Palmeira não está colocada, Temer descarta concorrer e nenhum integrante do Refazendo assume publicamente a substituição, mas há indícios de que o deputado estadual perde espaço. Terceiro colocado na eleição para prefeito de 1996, com 641.526 votos, Chico Alencar enfrenta atritos junto a outras tendências, potenciais aliadas na disputa
nas quais Palmeira é visto com simpatia. O ex-deputado teve a candidatura cassada para que o PT apoiasse o então candidato a governador Anthony Garotinho (PDT); em troca, os pedetistas apoiaram o presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, na disputa presidencial.
A possibilidade de substituição torna-se mais forte porque a Articulação reúne quase a metade do PT, só podendo ser derrotada por uma ampla aliança. Chico Alencar, porém, enfrenta resistências no Campo de Ação Popular, tendência do vereador Adilson Pires, e no Opção Popular, do presidente regional da legenda, Carlos Santana. Para Santana, pesa a relação com Benedita, abalada na crise aberta em 1999, quando Garotinho, que diz apoiar a vice-governadora na disputa, acusou o deputado de querer cargos públicos e chamou o PT de "partido da boquinha".
"Só vou definir a minha posição depois do seminário que o Opção Popular vai fazer na segunda quinzena de fevereiro", disse ele. A reportagem apurou que o parlamentar avisou que, se resolver apoiar alguém do Refazendo, será Palmeira. Segundo o deputado, no grupo dele, há adeptos de Chico Alencar, Benedita, do lançamento de um terceiro nome e da liberação do voto dos militantes. O Refazendo volta a discutir o assunto no dia 24, mas, segundo um integrante do grupo, nenhuma decisão deverá ser tomada.
Temer disse que não é candidato de jeito nenhum e continua a apoiar Chico Alencar, que "segue pré-candidato", mas, admitiu, "se houvesse um acordo formal em que Carlos Santana fechasse com Vladimir, até o Chico apoiaria". Ele considerou difícil essa hipótese, pois o Refazendo vai escolher o pré-candidato ainda em janeiro, e o grupo de Santana só se decide em fevereiro, e disse preferir preservar Palmeira para outras disputas. Procurado pela reportagem, Chico Alencar não foi localizado. Palmeira não deu retorno ao recado telefônico.

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