Reestruturação do setor petroquímico esbarra no valor dos negócios
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segunda-feira, 18 de outubro de 1999
Por Maria Fernanda Delmas 
Rio, 19 (AE) - A reestruturação do setor petroquímico, um dos focos do governo, está emperrada em um ponto: o valor de cada negócio. "Essa é a grande questão, o vendedor sempre acha que vale mais e o comprador, que vale menos", afirmou o diretor superintendente da Petroflex e presidente do Sindicato da Indústria de Produtos Químicos para Fins Industriais do Estado do Rio de Janeiro (Siquirj), Isaac Plachta.
O executivo defende que entre em cena uma "entidade internacional de avaliação de negócios", um grande banco de investimentos, talvez. "Para dizer exatamente quanto vale", explicou Plachta. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) poderia coordenar o trabalho.
Para o diretor, cabe ao BNDES colocar os cenários na mesa. Pelos primeiros desenhos, o grupo Ultra ficaria sozinho no pólo da Bahia e compraria as unidades industriais da Odebrecht e do grupo Mariani. Haveria uma associação do Grupo Ipiranga com a Odebrecht no pólo petroquímico do Rio Grande do Sul.
A Ipiranga, no entanto, resistiu, e o BNDES aceitou a idéia de manter os dois grupos separados no Sul, afirmou o diretor da área petroquímica da Suzano, Armando Guedes. Mas a Odebrecht pode ter de vender a Trikem, que possui uma participação na Norquisa, controladora da Companhia Petroquímica do Nordeste (Copene). Saindo do controle da Copene, a Odebrecht poderia ficar com a OPP, que tem operações em São Paulo, Bahia e no Sul. "É um avanço", disse Guedes.
"Não cabe mais ao governo dizer o que o setor deve fazer ou induzir o crescimento, isso tem de vir das empresas", completou Plachta. "São as empresas que têm de decidir os agrupamentos". O diretor afirma que as empresas nacionais têm de existir, mesmo que a solução seja ficar como minoritária em uma parceria com um grupo estrangeiro.
"É uma questão de sobrevivência", declarou. "Melhor ser minoritário do que majoritário com menos lucratividade". Na própria Petroflex, privatizada em 1992, Plachta é favorável a parcerias. A empresa tem sido procurada por muitos grupos internacionais. "Fizemos o dever de casa, estamos nos reestruturando, e a discussão agora não é quem controla, mas as oportunidades de crescimento".


