Reestruturação de bancos federais não será feita por FHC
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domingo, 16 de abril de 2000
Por Silvia Faria e Rosa Costa 
Brasília, 17 (AE) - A proposta de reestruturação dos bancos públicos federais, encomendada pelo governo à consultoria Booz Allen & Hamilton, não será implantada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso por problemas políticos. Embora racional e desejável, do ponto de vista fiscal e financeiro, na avaliação de dois ministros envolvidos na discussão não há receptividade política à reestruturação, que eliminaria feudos localizados principalmente na região Nordeste.
A reestruturação proposta para o Banco do Nordeste (BNB)
que seria fundido à Sudene, depois de transformado em agência de fomento, por exemplo, esbarra na forte resistência do governador tucano do Ceará, Tasso Jereissati, assim como do vice-presidente da República, o pernambucano Marco Maciel (PFL-PE). Já a fusão do Banco da Amazônia (Basa) com a Sudam pode ser viável porque já vem sendo preparada há algum tempo pela equipe econômica.
A força da reação política ao trabalho pôde ser sentida hoje no plenário do Senado. Dois líderes de partidos aliados - o presidente do PMDB, senador Jáder Barbalho (PA), e o líder do PSDB, Sérgio Machado (CE) - discursaram contra a proposta de privatização dos bancos federais.
"A privatização desses bancos seria um desserviço ao País", afirmou Barbalho, qualificando de "desastre" a proposta da consultoria internacional. Segundo o senador, se não fosse o Banco do Brasil, não haveria agricultura nacional, porque nenhum banco privado daria crédito aos agricultores.
Machado não ficou atrás e disse que os bancos federais são instrumentos indispensáveis no processo de retomada do desenvolvimento econômico em curso. Foi apoiado pela senadora Heloíza Helena (PT-AL), entre outros colegas.
O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, defensor primeiro da reestruturação do BNB e do Basa, disse que não recebeu a proposta da consultoria, mas defendeu a racionalidade dos custos públicos para manter as estruturas bancárias em funcionamento. "Tudo que for racional deve ser adotado sem preconceito para reduzir custos e melhorar a eficiência", disse Bezerra.
Ele já travou batalha, sem sucesso, para reduzir os ganhos do Banco do Nordeste com o repasse dos recursos do Finor. Foi vencido por Jereissati e Maciel. Ainda assim, o ministro aposta que a reestruturação da Sudene e da Sudam vai acontecer.
No Banco do Brasil, a sugestão da Booz Allen, de transferir a responsabilidade do crédito rural do BB para o Tesouro, foi recebida com descrédito por especialistas da instituição. "Já se falou nisso várias vezes no passado e nunca encontraram uma solução melhor do que o Banco do Brasil", comentou um técnico veterano no assunto.
Na Caixa Econômica Federal (CEF), que pela sugestão da Booz Allen voltaria à condição de autarquia para operar com cadernetas de poupança e crédito habitacional, o estudo não foi comentado. IBEP INSTITUTO BRASILEIRO DE ESTUDOS POLíTICOS 1


