Brasília, 20 (AE) - O processo de reestruturação das cadeias produtivas, visando o aumento das exportações, maior geração de emprego, inserção brasileira no mercado internacional e o combate às desigualdades regionais, será uma das principais tarefas do novo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Clóvis Carvalho à frente do ministério. Este trabalho, iniciado na gestão do ex-ministro Celso Lafer, deverá continuar sendo conduzido pelo atual secretário de Política Industrial da pasta, Hélio Mattar, que já foi convidado por Clóvis Carvalho a permanecer na função.
A reestruturação das cadeias produtivas está sendo fundamentada em diagnósticos elaborados pelo Ministério do Desenvolvimento, com base em estudos feitos pelo BNDES e pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicada (IPEA) em parceria com representantes do setor privado e dos trabalhadores. A princípio, a Secretaria de Política Industrial selecionou 10 setores: construção civil, têxtil, eletroeletrônico, cosméticos, automotivo, química, móveis, couro e calçados, serviços e agrobusiness.
Até a semana passada - antes do anúncio das mudanças ministeriais - a expectativa de Hélio Mattar era a de que até meados de agosto os primeiros cinco diagnósticos estivessm prontos (eletroeletrônico, química, cosméticos, construção civil e têxteis). Com base nesses diagnósticos, segundo Hélio Mattar, seriam traçadas as metas a serem alcançadas por esses 10 setores no curto prazo (dois anos) e médio prazo (quatro anos), período em que o presidente Fernando Henrique Cardoso estará encerrando seu mandato.
A definição de metas, conforme explicou Mattar na ocasião, não poderia perder de vista cinco objetivos básicos: aumento do emprego; maior capilaridade regional (para combater os desequilíbrios regionais); aumento das exportações; substituição competitiva das importações; e integração das cadeias produtivas nacionais ao mercado internacional.
O ponto básico da reestruturação das cadeias produtivas é a identificação de gargalos nos vários segmentos de cada setor
objetivando o aumento da competitividade. A partir da identificação dos problemas, o governo, em conjunto com o setor privado, buscará soluções, visando resolver questões vinculadas ao custo de produção e ao financiamento, por exemplo. O principal ponto de apoio com relação ao crédito será o BNDES, que já vem financiando vários setores nesse sentido, incluindo empresas de pequeno e médio porte, visando o fortalecimento do setor empresarial diante da concorrência externa.
Setores - Ao contrário de programas feitos no passado que priorizaram investimentos em setores intensivos em capital e que não são fortes geradores de emprego - o projeto delineado pelo Ministério do Desenvolvimento na gestão de Celso Lafer, prioriza áreas que possam trazer respostas mais imediatas com relação a criação de postos de trabalho e ao aumento das exportações, pontos considerados essenciais entre os cinco grandes objetivos a serem perseguidos.
Como exemplo, de setor a ser incentivado, Hélio Mattar cita a construção civil, cuja participação no Produto Interno Bruto (PIB) foi de 14,8% em 1997 e cujo investimento por emprego é de US$ 10 mil.
Além da construção, Hélio Mattar aponta o setor têxtil, como o segunda cadeia a ser estimulada, também em função do baixo investimento que demanda por emprego gerado - US$ 15 mil. Para comparar as vantagens dessas duas áreas na criação de postos de trabalho, a Secretaria de Política Industrial possui dados comprovando que esses investimentos em setores intensivos em capital são muito maiores. No setor automotivo, o investimento por emprego é de US$ 200 mil a US$ 300 mil, e no de papel e celulose, é de US$ 220 mil. "Isso significa que se o País partir para o investimento em construção civil, cosméticos couro e calçados e serviços, aumentaria muito o nível de emprego", explicou Hélio Mattar ao fazer uma avaliação do programa há duas semanas.
Balança - O governo também considerou, ao selecionar esses 10 setores, os "rombos" por eles causados à balança comercial. Conforme levantamento da Secretaria de Política Industrial, o déficit causado na balança comercial pelo setor de eletroeletrônico anualmente é de US$ 8,5 bilhões, enquanto o do setor químico é de US$ 6 bilhões, e o de cosméticos é de US$ 800 milhões nesse mesmo período. Isso significa que com o aumento da competitividade e a substituição de importações, poderia haver uma considerável contribuição ao desmepenho da balança comercial. Estudos apresentados pelo setor têxtil à Secretaria também indicam que há a possibilidade de que os investimentos na área cheguem a US$ 10,2 bilhões nos próximos cinco anos. Nesse cenário, as exportações de têxteis que hoje são de US$ 1 bilhão, poderiam alcançar US$ 6 bilhões em 2.002, prazo em que o governo espera elevar as exportações o país dos atuais US$ 51 bilhões para US$ 100 bilhões.

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