São Paulo, 19 (AE) - A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), oito meses após a posse de seu presidente, Horácio Lafer Piva, está 30% mais enxuta no que se refere ao número de empregados e com um orçamento 22% mais magro. A "cirurgia" provocou polêmica. Segundo Piva, teve o objetivo de adequar a entidade às reais necessidades da indústria. Para alguns empresários, entretanto, o presidente da Fiesp foi eficiente na demolição, mas ainda não comprovou capacidade para executar seu projeto.
O custo da dispensa de cerca de 150 funcionários foi salgado. Perto de R$ 2 milhões em indenizações, que, no entanto, serão amortizados em cinco meses, segundo cálculo feito pelo superintendente-geral da Fiesp, Walter Cover, o profissional especialmente contratado para cuidar das questões administrativas. O ajuste não se limitou ao corte de pessoal. As medidas de economia alcançaram antigas mordomias, que beneficiavam especialmente diretores, inclusive aqueles que deram apoio a Piva durante a campanha eleitoral.
Desde o início do ano, estão obrigados a pagar o próprio almoço, caso queiram fazer as refeições no restaurante da Fiesp. Todos, sem exceção, estão enquadrados nesse regime de austeridade. Têm de compartilhar secretárias, assessores e salas de trabalho. O corte dos gastos considerados supérfluos por Cover e por parte da diretoria, levou a uma redução de R$ 10 milhões nas despesas anuais. A operação não produziu superávit até o momento.
O orçamento da Fiesp era deficitário em R$ 5 milhões no ano passado. Segundo cálculos de Cover, a Fiesp deverá ter superávit em torno R$ 2 milhões a partir de 2000. Não haverá, assim, folga no próximo ano, uma vez que uma série de despesas vêm sendo proteladas, como a conservação do prédio e o treinamento do pessoal remanescente para a remodelação dos serviços que Piva se comprometeu a prestar.
O presidente da Fiesp pretende atender a todas as demandas dos associados, mas planeja cobrar por isso, pois está no seus planos tornar a entidade financeiramente auto-suficiente. O saneamento da Fiesp e o projeto de aprimoramento das atividades não têm sido missões fáceis para Piva. "Muitas das nossas ações estão sendo mal compreendidas", afirmou. Avaliação - Piva está na fase de avaliação dos efeitos das medidas adotadas até agora. As demissões deverão ser suspensas. Segundo Cover, porque já foram alcançados os objetivos propostos. Segundo Piva, porque o clima no prédio da Avenida Paulista está ficando insuportável. "Está difícil de circular pelos corredores".
Ele reconhece que cometeu alguns erros, mas considera injustas as críticas que tem recebido de diretores. Quando foi eleito, disse, tinha consciência de que o primeiro ano de seu mandato seria difícil. "Mas o processo de transição era indispensável". Acha que é preciso dar sentido às atividades da Fiesp e que umas de suas missões é administrar conflitos e vaidades.
Apesar do sentimento de solidão demonstrado por Piva, não é fácil encontrar quem critique abertamente a sua atuação à frente da Fiesp. Muitos empresários, no entanto, não escondem a expectativa em relação aos resultados que, segundo a maioria, não são visíveis ainda. Para eles, isso é compreensível diante das dificuldades proporcionadas pelos hábitos arraigados das equipes da entidade. Mesmo assim, lamentam a inércia em alguns setores. Falta vigor nos protestos e não há projetos para serem levados a Brasília a título de reivindicação. A proposta da indústria paulista para a reforma tributária, por exemplo, ainda não está pronta.

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