Reestruturação da americana Dana no Mercosul
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quarta-feira, 26 de janeiro de 2000
Por Milton F.da Rocha Filho 
São Paulo, 26 (AE) - A Dana americana está realizando uma reorganização em suas operações de componentes de suspensão no Mercosul. O objetivo é reduzir custos, racionalizar as atividades das plantas e adequar a produção à demanda de mercado em cada um dos países que possui plantas. No Mercosul está a maior operação Dana voltada a sistemas de suspensão em todo o mundo, faturando aproximadamente US$ 100 milhões nas Divisões Nakata (com fábricas em Diadema, na Grande São Paulo) e Thompson
com duas plantas na Argentina, em Córdoba e em San Luis.
Essas unidades da Dana produzem amortecedores, barras de direção, pivôs, terminais, tirantes, articulações e módulos completos. A Dana iniciou operações de sua primeira unidade de componentes de suspensão no Mercosul no começo de 1996, com a compra da Thompson-Ramco, fabricante argentino daqueles componentes. Em 1998, com a compra da Nakata - maior produtor sul-americano de componentes de suspensão - e que também possuía uma unidade na Argentina, o grupo ampliou suas atividades nesse segmento, tanto no fornecimento às montadoras quanto no mercado de reposição.
A Dana já investiu cerca de US$ 15 milhões nessa divisão, principalmente para modernização e melhoria dos processos produtivos, compra de equipamentos, treinamento dos funcionários e pesquisa e desenvolvimento para atender à crescente demanda das montadoras por novos componentes, módulos e sistemas. Hoje, a divisão possui como clientes a Fiat, Ford, General Motors, Renault, Troller, Volkswagen, Peugeot, Mercedes-Benz, Scania e Volvo.
Durante 1999, a empresa investiu US$ 1,5 milhão no relançamento de sua linha de amortecedores para o mercado de reposição no Brasil; enquanto iniciou o processo de reestruturação de suas operaçoes no Brasil e Argentina.
Na Argentina, a empresa está transferindo parte de sua produção de componentes de suspensão da planta de Córdoba para a de San Luis. Segundo Kazuo Kageyama, diretor da divisão, vários produtos similares eram fabricados nas duas unidades, o que abriu oportunidade a reduções expressivas de custos, por produtividade. Para buscar maior sinergia, a empresa decidiu concentrar em Córdoba as operaçoes de Forjaria, componentes pesados e Módulos. A unidade de San Luis ficará dedicada à produçao de sua linha de produtos leves.
"Bem antes de se falar em Mercosul, já tínhamos programas de consolidação das operações na região", disse o diretor de Marketing da Dana, Luciano Pires. "Nossa fundição de anéis de pistão foi totalmente transferida de Gravataí para Rosário em 1998, por exemplo. Ganhamos uma sinergia muito grande quando focalizamos as unidades em produtos específicos e complementares".
"No caso da área de suspensão o que está acontecendo é uma profunda reorganização que busca reforçar nossa posição no mercado, consolidando as operações da Dana, Nakata e Thompson, sem solução de continuidade em qualquer planta. As operações que estão deixando Córdoba estao sendo assimiladas por San Luis. Não há um plano de transferir as operações da Argentina para o Brasil, fechando qualquer das duas unidades argentinas".
A Dana opera no Brasil desde 1957. Hoje são 21 fábricas e quase 7.000 colaboradores produzindo e comercializando componentes para motores, transmissões e suspensões, além de módulos e sistemas para os mercados automotivo, fora-de-estrada, agrícola e industrial. Em 1998, com as aquisições da Nakata e da Echlin, a Dana ampliou ainda mais sua linha de produtos, atingindo vendas de US$ 640 milhões.


