Reeleição produz uma nova realidade
Arquivo/FolhaEm campanhaO presidente Fernando Henrique Cardoso enfrenta o grande desafio, após ter obtido do Congresso o direito de tentar a reeleição: obter um novo mandato. As projeções atuais o situam em excelente situação, até agora, mas muitas variáveis podem ameaçar seus projetos nos 10 meses que faltam para o pleito presidencial Mais importante até que o fato de 98 ser um ano eleitoral - o que acaba por se tornar sempre no grande foco do que ocorra ao longo do período - é a possibilidade, criada pela lei, para os chefes de Executivo de tentar a reeleição. É um fato totalmente novo na História do país e já mudou muito as perspectivas. De fato, a possibilidade que o presidente Fernando Henrique Cardoso tem de tentar um novo mandato - o que não ocorreu antes na História brasileira - produz uma situação absolutamente inédita. Por melhor que tenha sido o presidente - ou o governador ou mesmo o prefeito - as eleições antes da emenda tinham outra característica. O chefe do Executivo não se submetida diretamente ao crivo do eleitor. Na melhor das hipóteses, jogava seu prestígio para apoiar um candidato. Agora, porém, é ele quem se coloca diante do eleitorado para um julgamento direto.
A mudança provocada pela aprovação da emenda da reeleição já pode ser notada. Os chefes de Executivo surgem, naturalmente, como candidatos à própria sucessão. E como estão no exercício dos cargos, já se pode dizer que estão sempre em campanha. Isto pode ser bom, sob um aspecto, mas prejudica em outros. Medidas impopulares, muitas vezes necessárias podem ser adiadas ou alteradas, precisamente em função da reeleição. Há também um certo prejuízo para os candidatos da oposição que só tem o lançamento de seus nomes definidos poucos meses antes do pleito, devendo primeiro lutar pela indicação para depois cuidar da campanha, enquanto os titulares simplesmente sabem que vão disputar o cargo e ganham um tempo valioso com isto.
Inegavelmente, em especial no campo federal, a reeleição vai balizar não só a atividade política mas, também, a econômica ao longo do ano. O presidente Fernando Henrique Cardoso, que fez o que podia (e, como dizem alguns de seus adversários, até o que não devia) para poder se candidatar a um novo mandato, sabe que terá o desafio de superar alguns dos maiores entraves ao plano de estabilização, para manter acesa sua pretensão de vitória em outubro. E embora hoje continue a contar com uma grande aceitação, sabe que se a crise que se desenhou no final do ano persistir, se o desemprego crescer, se a desesperança aumentar, sua situação poderá se complicar.





