Na primeira vez, em toda a História do país, em que os chefes de Executivo - presidente e governadores - puderam se candidatar à reeleição, a própria campanha eleitoral foi diferente. Como titulares do cargo e candidatos, tanto o presidente quanto os governadores saiam com considerável vantagem sobre os seus adversários. Enquanto os seus concorrentes tinham de lutar para conquistar a indicação para depois partir para a campanha, os titulares tinham espaço na imprensa e ganhavam pontos em seu propósito de conseguir um novo mandato.
AusênciaSérgio Mota: morte em abrilNo que diz respeito à presidência, Fernando Henrique Cardoso soube capitalizar como poucos esta vantagem. Sem nem ter ainda adversários, ele seguia firme com as pesquisas indicando que outra vez poderia ganhar o pleito logo no primeiro turno. Mas havia também certos entraves. Afinal, se o sucesso do Plano Real era incontestável, se a inflação de fato estava baixando e se isto ajudava a dar a seu nome uma imensa intenção de votos, é certo que os problemas e dificuldades complicavam a situação. Quando explodiram as notícias sobre a tragédia dos flagelados pela seca no Nordeste, com a fome atingindo milhões, as pesquisas de intenção de voto registraram o baque: FHC caia. Não muito, mas o suficiente para preocupar.
ParanáLerner: eleição tranquila, que repetiu a realizada há quatro anos
Luiz Inácio Lula da Silva conseguia somar com Leonel Brizola, em uma chapa única para enfrentar FHC. O PMDB, o principal partido da coligação de apoio presidencial ameaçava lançar candidato próprio, que poderia ser Itamar Franco, o presidente do Plano Real. Ciro Gomes, ex-ministro de Itamar Franco, antecessor de FHC no Ministério da Fazenda, entrava na briga. Quem também tentou aparecer no quadro foi o ex-presidente Fernando Collor. Enfrentou dificuldades em comícios e acabou descartado da disputa pela Justilça eleitoral. Em outro front, o MST invadia fazendas, agitava o Nordeste. E, para completar, uma crise internacional ameaçava os horizontes internos.
IlusãoNo começo, vitórias e alegria do futebol iludiram. No final, a derrotaCom habilidade, FHC acabou contornando as dificuldades. Uma campanha maciça de ajuda ao Nordeste foi encetada. Itamar Franco perdeu a briga e teve de se contentar em disputar o governo de Minas, enquanto o PMDB apoiava o presidente em sua campanha pela reeleição. Lula e Brizola cresceram, mas não foi o suficiente. Em outubro, Fernando Henrique Cardoso conseguiu de novo: tornou-se o primeiro presidente brasileiro a se reeleger, repetindo o que fizera há quatro anos ao liquidar a disputa logo no primeiro turno.
No Paraná, o quadro foi quase o mesmo. O governador Jaime Lerner, apesar de alguns problemas, inclusive o desgaste em função do pedágio, acabou repetindo o feito de quatro anos atrás: ganhou a eleição no primeiro turno, mantendo a chapa com Emília Belinati como vice.
CampeãoO Rexona, do Paraná, ganhou o título nacional do volei femininoNos outros Estados a situação não foi tão simples. Em Minas, São Paulo e Rio Grande do Sul os governadores não tiveram sucesso no primeiro turno. Em São Paulo, Mário Covas acabou se recuperando. Chegou com dificuldades ao segundo turno e acabou superando a Paulo Maluf. Já Antonio Brito, no Rio Grande do Sul, e Azevero da Silveira, em Minas, perderam no segundo turno provando que a possibilidade de reeleição não é garantia de nada.

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