O estudo mostra que a diminuição de moradores é concentrada nas pequenas localidades. Dos 155 municípios que perderam população, 148 (95%) têm menos de 20 mil habitantes. O mais populoso a registrar retração populacional foi Bandeirantes, no Norte Pioneiro, que segundo a nova estimativa tem 32,6 mil habitantes. No cenário nacional, 32,4% dos municípios que perderam população têm menos de 20 mil habitantes. É o grupo que apresentou a maior redução proporcional.

O presidente da Associação dos Municípios do Paraná (AMP), Ricardo Ortina, que também é prefeito de Santo Antônio do Sudoeste, avalia o cenário atual como uma reedição do êxodo rural, ocorrido no Estado em décadas anteriores. "As pequenas cidades não têm como competir com os grandes municípios. Sem educação superior, unidades de saúde de alta complexidade e até mesmo empregos, as pessoas fazem essa migração", comenta.

Para tentar segurar os moradores, Ortina sugere que os gestores devem investir em atrativos que cabem no orçamento. "Hoje a grande propaganda dos pequenos municípios é ter uma segurança maior, uma vida mais pacata. Com isso, inevitavelmente, teremos uma população idosa, formada na maioria por aposentados que procuram descanso", avalia. "O grande desafio é transformar isso em melhor qualidade de vida e ter algum incentivo para atrair a população economicamente ativa".

Outra decorrência negativa da diminuição da população é a redução dos repasses de outras esferas governamentais, principalmente o Fundo de Participação dos Municípios (FPM). A transferência por parte do governo federal é a principal fonte de renda da maioria dos pequenos municípios. "Hoje o FPM é o que mantém a grande maioria dos municípios, mas está cada dia mais difícil se manter os serviços com os valores repassados", comenta Ortina.

O professor de Geografia da Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná (Unicentro), Lisandro Pezzi Schmidt, argumenta que, ao perder a população, o município também perde justificativa para qualquer projeto e ação com vistas a atender a demanda. "O repasse da União ainda é insuficiente para muitas ações no âmbito dos municípios, sem falar que ainda necessita contrapartida para o atendimento imediato", expõe. "A política de descentralização político-administrativa no País promoveu o impasse entre repasse, arrecadação e investimentos nas demandas sociais", completa. (C.F.)

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