Reduçao temporária na oferta fez frango subir, diz Apinco
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quinta-feira, 28 de janeiro de 1999
Por Alda do Amaral Rocha 
São Paulo, 28 (AE) - A Associação Brasileira dos Produtores de Pinto de Corte (Apinco) divulgou nota hoje na qual afirma que a alta de preços verificada no mercado de frango vivo nos últimos dias se deve a uma redução temporária na oferta devido ao forte calor "que vem causando alta mortalidade de frangos". A nota, com o título "O frango não pode pagar o pato", sustenta que não houve aumento de preços até agora e sim uma "recuperação parcial" de perdas registradas entre 31 de dezembro de 98 e 12 de janeiro de 99. No dia 31 de dezembro, o produtor estava recebendo R$ 0,90 pelo quilo do frango vivo e no dia 12 de janeiro, R$ 0,60, de acordo com a Apinco. Ontem (27), o frango vivo era cotado a R$ 0,75 no mercado paulista.
A nota informa ainda que o frango nacional "consome, apenas e exclusivamente, ração produzida no Brasil". No entanto, informa, essas raçäes são balanceadas com vitaminas, minerais e aminoácidos que o Brasil não produz. Esses ingredientes importados são cotados em dólar, por isso, segundo a nota da Apinco, será "impossível manter o preço do frango nas mesmas bases de 1995" já que, "além da inflação acumulada, o dólar sofreu - nesse período - uma alta de mais de 100%".
A nota da Apinco destaca ainda que um dos principais ingredientes da ração das aves, o farelo de soja, apesar de produzido no Brasil com soja brasileira, tem preço dolarizado. Dessa forma, "uma matéria-prima genuinamente brasileira gera grande impacto sobre os custos de produção do setor".
De acordo com a nota, "todo o material genético necessário à produção brasileira de frangos e, também, de ovos, é importado de diversos países", pois o Brasil não produz este tipo de material. Com isso, justifica, é natural que haja variação nos preços do frango "se a matéria-prima básica é paga em dólar".
Segundo a nota da Apinco, nos últimos quatro anos os preços do frango vivo registraram uma alta da ordem de 25%, abaixo da inflação acumulada no período e da variação do dólar. A competividade da avicultura brasileira foi destruída com a "nova dolarização da economia brasileira", já que (...)"para enfrentar a globalização e se manter competitivo", o setor teve "de buscar matérias-primas a preços mais acessíveis, onde quer que elas se encontrassem". Segundo a nota, as exportaçäes de frango devem aumentar, mas também haverá maior oferta do produto no mercado interno este ano. Pelos dados da Apinco, o setor tem capacidade para produzir em 99 cerca de 4,8 milhäes de toneladas de carne de frango, um aumento de 7% em relação a 98. Com este volume de produção, informa a nota, é possível exportar 700 mil toneladas, 15% a mais que em 1998, e ofertar 4,1 milhäes de toneladas no mercado interno, um alta de 5,5% em relação ao passado. No entanto, afirma a nota, a concretização desses números depende da manutenção dos custos, o que "está nas mãos do governo".


