São Paulo, 24 (AE) - Ao reduzir o juro primário de 22% para 21% ao ano e anunciar, simultaneamente, um aumento de 18% nos preços dos derivados do petróleo, o governo está reduzindo o ritmo de recuperação da economia. Isso porque diminui a capacidade de compra do consumidor e onera as empresas que não conseguem repassar o aumento desses custos para o preço final dos produtos.
A avaliação é do economista da Associação Comercial de São Paulo, Marcel Solimeo, lamentando a postura cautelosa do governo. "Uma redução de apenas 1 ponto percentual e um aumento do petróleo de 18% simultâneos mostra que os departamentos do governo estão agindo de forma descontrolada", afirmou Solimeo. "O que está sendo jogado de custos na economia é uma brutalidade." Além dos aumentos das tarifas públicas, chamados de "tarifaço" por Solimeo, e dos derivados do petróleo, o economista da Associação Comercial listou também a volta da CPMF. "Isso está inviabilizando as empresas", afirmou, lembrando que, em função da recessão, os empresários não puderam repassar para os preços esses aumentos. Associados ao aumento do petróleo, devem traçar um repique inflacionário nos próximos meses, segundo ele.
Apesar da postura cautelosa do Banco Central na reunião de ontem, Solimeo acredita que o governo ainda reduzirá a taxa de juros nas próximas semanas. "O governo tem de baixar, porque é o maior devedor e precisa aliviar a sua situação fiscal", afirmou. A perspectiva de alta dos juros nos Estados Unidos no próximo dia 29 não deve provocar impacto no mercado doméstico, segundo o economista, já que a alta já foi antecipada e assimilada há algum tempo.

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