Redução do IOF é medida de maior impacto, dizem economistas
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quarta-feira, 13 de outubro de 1999
Por Gustavo Alves 
Rio, 14 (AE) - A redução do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 6% para 1,5% para pessoas físicas foi considerada a medida de impacto mais imediato para os juros cobrados ao consumidor, segundo economistas de instituições de ensino e bancos de investimento. O chefe do Centro de Estudos de Preços da Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ), Paulo Sidney Melo Cota, calcula que a medida signifique um corte de 0,5 ponto percentual nos juros mensais.
A diminuição, no entanto, não vai ser um grande incentivo para que os juros cobrados dos tomadores finais dos bancos baixem, avalia o economista. "Os juros médios, passando de 9% para 8,5% ao mês, não significam nada que estimulem muito o consumo", criticou o economista, responsável pelo cálculo dos índices de inflação da FGV-RJ.
O economista Guilherme Paiva, do Banco Bozano, Simonsen, acredita que, com a redução do IOF, pode haver queda de juros para o mercado consumidor. Mas a diminuição só acontecerá se for adotada pelos bancos públicos - Banco do Brasil (BB) e Caixa Econômica Federal (CEF). As duas instituições levariam outros bancos a copiar a medida, segundo Paiva. "Acredito que o BB e a CEF anunciem uma redução dos juros nos próximos dias", previu.
Segundo o diretor da área de Finanças Corporativas do Dresdner Kleinswort Benson Bank, João Roberto Teixeira, as medidas anunciadas hoje pelo governo criaram todas as condições para que os juros do consumidor caiam. "Obviamente, o governo não tem como forçar os bancos", lembrou.
Ele lembrou, além das medidas de efeito imediato, como a redução do IOF, que o governo tratou da principal questão que aumenta a taxa de risco cobrada pelos bancos - a inadimplência. A economista Elisa Pessoa, do Banco Liberal, também chamou atenção para a importância da mudança da legislação sobre empréstimos que o governo quer promover. Na avaliação de Elisa, a alteração vai ser "determinante" para a queda dos juros.
Aumento nas vendas - Para o coordenador de Política Econômica da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), Flávio Castello Branco, o anúncio do governo hoje representou a continuação de medidas adotadas anteriormente que já haviam tido influência na taxa de juros para o público. Ele afirmou que dados preliminares da CNI mostram aumento de vendas a prazo neste mês, em comparação com outubro do ano passado, por causa da diminuição dos juros que já foi realizada.
"É claro que não vai haver consequências logo amanhã", afirmou Castelo Branco. "Mas para os últimos meses do ano, podemos ter expectativa positiva", previu. Ele acrescentou que os bancos, agora, terão condições de escolher melhor seus clientes, ao mesmo tempo em que uma grande parcela de devedores já quitou seus débitos e tem condições de tomar novos empréstimos.


