São Paulo, 9 (AE) - O economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Marcel Solimeo, afirmou hoje que a medida tomada pelo Banco Central de reduzir a alíquota do compulsório sobre os depósitos à vista, de 75% para 65%, é positiva para o comércio, tendo em vista a queda dos juros ao consumidor, mas ainda é insuficiente. "A medida não é uma grande coisa porque a taxa de 65% ainda é muito elevada", disse Solimeo.
Segundo o economista, as empresas do setor se anteciparam ao BC reduzindo fortemente os juros, mas não há dúvida de que a decisão terá grande impacto sobre o consumo, aumentando as vendas do varejo e, consequentemente, as encomendas à indústria. Isso somado à queda do índice de inadimplência que vem sendo observada, pesará positivamente no desempenho do setor.
No entanto, Solimeo garantiu que há espaço para mais reduções no compulsório. "A taxa não só pode,como deve ser reduzida", disse. De acordo com o economista, a expectativa é de que esse processo deva continuar, dentro do esforço do Banco Central para reduzir os juros. Ele frisou que, em outros países, a alíquota do compulsório não chega a 10%. "Taxas tão elevadas prejudicam o andamento da política monetária. Só no Brasil acontece esse absurdo", afirmou.
A medida tomada ontem (8) pelo Banco Central resultará na liberação de aproximadamente R$ 3 bilhões, de um total de R$ 22,5 bilhões que estão recolhidos no Banco sob a forma de compulsórios sobre depósitos à vista. Uma das consequências da maior oferta de recursos e do impacto sobre o custo bancário, é a redução dos juros ao consumidor final e mais facilidade no crédito.
Mas, segundo Solimeo, só a queda dos juros é insuficiente para o comércio, pois ela precisaria estar associada à dilatação do prazo do crediário, que hoje está muito curto, para incorporar novamente os consumidores de menor renda ao mercado. Para ele, o alongamento desse prazo depende de tranquilidade política e uma taxa cambial estável. "A sequência de crises políticas criam um clima de desconfiança muito grande", disse.
O economista da ACSP afirmou que o Brasil deve caminhar para ser "um país normal" nos sistemas tributário, previdenciário, trabalhista e também na política dos juros. "A maior dificuldade que as empresas brasileiras enfrentam é o custo do capital", afirmou.

mockup