Redução de verba ameaça atendimento de doentes
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quarta-feira, 26 de maio de 1999
Agência Estado 
O corte de 55% do orçamento da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) vai prejudicar cerca de 2 milhões de pacientes. Eles são atendidos com radiofármacos, remédios para tratamento e diagnóstico do câncer que, no Brasil, são produzidos apenas pela CNEN. Só temos condições de manter a produção por duas semanas, alertou ontem o superintendente de Planejamento e Coordenação da CNEN, Francisco Rondinelli. Se nada for feito, a partir de junho não temos mais como manter as atividades.
O secretário estadual de Energia, Indústria Naval e Petróleo do RJ, Wagner Victer, encaminhou ofício ao Ministério de Projetos Especiais, ao qual a CNEN é subordinada, explicando a gravidade da situação. A paralisação da produção terá consequências desastrosas para a população e implicará perda de muitas vidas, disse. - Hospitais como o Instituto do Coração (Incor), em São Paulo, podem ser extremamente prejudicados porque a maioria dos procedimentos cirúrgicos cardíacos, renais e cerebrais são antecedidos por exames feitos com radiofármacos.
O corte prejudicará ainda a fiscalização de 2.500 empresas que trabalham com material radiativo e o licenciamento de usinas nucleares, atividades que também são monopólios da CNEN. Pode aumentar o risco de acidentes como o do Césio 147, em Goiânia, lembrou o secretário. E pode haver atraso nos processos de licenciamento de Angra 2.
A médio prazo as empresas terão que suspender suas operações porque, sem a fiscalização, não obteriam autorização para funcionar, segundo explicou Rondinelli.
O orçamento da CNEN era de R$ 50 milhões e foi reduzido para R$ 23 milhões, de acordo com decisão publicada no Diário Oficial do dia 30 de abril. Com esse dinheiro não dá nem para manter o custeio, disse Victer. O secretário atribuiu o corte de orçamento a um erro administrativo. Tenho certeza de que houve uma falha burocrática na elaboração do orçamento; é tão absurdo que não pode ter sido uma decisão política.


