Brasileiro consome 12 gramas de sal por dia, mais do que o dobro da quantidade apontada como segura pela OMS
Brasileiro consome 12 gramas de sal por dia, mais do que o dobro da quantidade apontada como segura pela OMS | Foto: Shutterstock



Brasília - O Ministério da Saúde e a Abia (Associação Brasileira de Indústria de Alimentos) assinaram um novo acordo para redução de teores de sódio em pães, bisnaguinhas e massas instantâneas. Para pães de forma, a meta é que, entre 2017 e 2020, o teor máximo do nutriente caia de 450 mg para 400 mg a cada 100 gramas do produto. No caso das bisnaguinhas, a queda será de 388 mg para 350 mg, também a cada 100 gramas do alimento. Para as massas instantâneas, a previsão é de que até 2018 o teor máximo de sódio seja de 1840 mg a cada 100 gramas.

Essa é a segunda vez que os três alimentos são alvo de um pacto para redução de sódio. Eles integram o acordo entre ministério e indústria de alimentos de 2011, com 30 categorias de produtos. O novo acordo foi anunciado nesta terça-feira (13)durante divulgação do balanço daquele acordo inicial.

Cálculos feitos pelo Ministério da Saúde com base em dados fornecidos pela indústria indicam que foram retirados do mercado até o momento 17 mil toneladas de sódio dos alimentos. Essa quantia está longe da meta firmada com o setor, que é, até 2020, retirar o equivalente a 28.562 toneladas do nutriente.

Embora o cronograma esteja bem atrasado, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, disse estar confiante de que o objetivo será alcançado. Apesar do discurso, tanto o ministro quanto representantes da indústria reconhecem que, nas próximas etapas, o processo vai ficando cada vez mais difícil. No início do acordo, bastava retirar o excesso de sódio de alimentos.

Embora festejado pelo governo e pela indústria, o acordo de redução de sal é criticado por especialistas em nutrição por suas metas, consideradas muito tímidas. O consumo de sal é um fator de risco para hipertensão. Além de dar sabor, ele ajuda a conservar os alimentos, por isso, a sua adição até mesmo em alimentos adocicados, como cereais matinais e bolos.

Estudos indicam que o brasileiro usa sal em excesso e não se dá conta de ter esse comportamento de risco. A média de consumo diário do ingrediente no Brasil é de 12 gramas, mais do que o dobro recomendado pela OMS (Organização Mundial de Saúde): 5 gramas diárias.

HISTÓRICO
Massas instantâneas, pães de forma e bisnaguinhas foram alvo da primeira etapa do pacto. Em uma segunda etapa, iniciada em outubro de 2011, foi a vez de salgadinhos de milho, batatas fritas, bolos, misturas para bolo, maionese, bolachas e biscoitos. Na terceira turma, estavam margarinas, cereais caldos em cubo e gel, além de temperos. Na última fase, iniciada em novembro de 2013, a redução tem como alvo empanados, hambúrguer, linguiças cozida, resfriada e frescal, mortadela, presuntaria, muçarela, requeijão cremoso, salsicha e sopas individuais.

De acordo com o ministério, houve uma redução de 23,15% da quantidade de sódio presente na muçarela, entre 2012 e 2016. No requeijão, a queda foi de 20,47%. Sopas apresentaram uma queda de 65,15% na quantidade de sódio adicionada. Entre embutidos, a maior queda foi da linguiça cozida em temperatura ambiente. A redução do teor de sódio foi de 15,59%, de 2013 para 2016. Entre hambúrgueres, a queda foi de 18,34%, também no período 2013-2016.

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