Redução de juros demora a chegar ao consumidor
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quarta-feira, 07 de julho de 1999
Por Márcia de Chiara e Rita Tavares 
São Paulo, 8 (AE) - Financeiras e bancos não planejam reduzir, de imediato, os juros cobrados do consumidor nas vendas parceladas por causa do corte no compulsório sobre o depósitos a prazo determinado pelo Banco Central (BC), que passará a vigorar a partir do dia 23 deste mês.
Os executivos das instituições financeiras concordam que a redução no volume de dinheiro retido no BC deverá ampliar a oferta de crédito, mas ponderam que essa maior disponibilidade de recursos não sugnificará necessariamente taxas menores de juros. Eles argumentam que outros fatores que compõem os encargos financeiros, como o risco de inadimplência e o custo de captação, são preponderantes na hora de fixar as taxas.
"Não há pressuposto de que a redução do compulsório vá refletir-se na outra ponta de imediato", afirmou Antonio Fernando Burani, diretor-executivo de crédito do Bradesco e vice-presidente da Acrefi, associação que representa as financeiras. Burani acredita que o mercado vai aguardar um certo tempo para reduzir as taxas de juros cobradas do consumidor.
"Não é porque haverá mais dinheiro disponível para ser emprestado que a taxa vai cair", diz o diretor da Finamix Cred1
financeira do Banco Matrix, Mauro Wulkan. Na sua avaliação, o que determinaria hoje uma taxa menor seria a redução da inadimplência, que continua estabilizada em num nível elevado. Atualmente, com uma carteira de crédito de R$ 70 milhões, a financeira cobra juros de 6,8% ao mês. A última redução ocorreu há um mês e meio e acompanhou o corte nas taxas de captação.
"O efeito da redução do compulsório nos juros é marginal", afirma o gerente-geral da Creditec, financeira do BBM, Sérgio Braga. Ele explica que o reflexo do corte nos compulsórios nas taxas de juros poderá ser sentido no fim do ano. É que nesta época outros fatores, como a redução da inadimplência e crescimento no ritmo da demanda por crédito, poderão fazer com que as instituições financeiras optem por cortar as taxas.
O economista-chefe do BankBoston, José Antonio Pena, avalia que estão sendo criadas as condições para que taxas menores de juros sejam cobradas daqui para frente. "Não sei se os prazos dos empréstimos serão mais longos." Para ele, uma conjugação de fatores deve resulta em taxas menores mais para frente, mas esse movimento não se deve apenas à redução no compulsório.
"O efeito imediato do corte no compulsório é o aumento de R$ 3 bilhões na oferta de dinheiro, mas o comportamento dos juros vai depender da inadimplência e da concorrência entre as financeiras", diz o economista da Associação Comercial de São Paulo, Emílio Alfieri.
A Losango, financeira do Lloyds Bank, por exemplo, está disposta a reduzir as taxas para o consumidor, se o custo de captação diminuir, diz o diretor de Operações, Manuel Vieira. "Se caírem as taxas de captação, nós repassaremos a redução imediatamente."


