Redução de FPM reflete em prefeituras
Marcos Zanatta
As prefeituras de cidades pequenas da região de Maringá estão apertando o cinto para não paralisar nenhum setor essencial e manter a folha de pagamento em dia. O corte de até 38% no repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), que começa agora e deve durar três meses, está obrigando os prefeitos a cortar o mínimo que é realizado.
Em Ivatuba (38 km a oeste de Maringá), o prefeito Vanderlei Santini (PPB) disse que não tem onde cortar. Nós já administramos com o mínimo, mas teremos que nos adaptar para não evitar uma situação ainda pior no segundo semestre, afirma.
O município vinha recebendo em média R$ 90 mil por mês do Fundo, e de junho a agosto, o repasse deve ficar em torno de R$ 55 mil. Vamos ficar restritos à folha de pagamento, diz Santini. A prefeitura tem 130 funcionários e uma folha de R$ 54 mil. Apenas com combustível o município gasta R$ 6 mil por mês. Santini diz que precisaria contratar pelo menos mais 15 servidores, mas é obrigado a manter o mesmo quadro e cortar onde é possível. O resto da arrecadação está comprometido, explica.
O prefeito Jeferson Xavier dos Santos (PFL), de Ângulo (32 km ao norte de Maringá), disse que o corte vai afetar as famílias mais pobres. Primeiro, porque todos os trabalhos sociais devem sofrer redução, e também porque parte dos servidores são contratados como diaristas. Temos apenas 80 funcionários de carreira, o resto é tudo temporário, explica.
A falta de dinheiro, segundo ele, deve afetar a limpeza pública, o atendimento na área de saúde e o transporte escolar. Estamos com dois veículos parados, e não vou concertar para não ter mais despesas com combustível, avisa.
O restante da frota só sai da garagem em último caso. Xavier reclama que está com sete obras paradas no município. Todas em parceria com o governo do Estado, que não está liberando as verbas, diz. Ele já foi prefeito de Iguaraçu, de onde Ângulo foi emancipado, e diz que nunca viu crise igual na administração pública.
A gente assina convênios e assume compromisso com o povo, e depois não tem dinheiro para atender as necessidades da população, lamenta. Segundo os prefeitos, o corte no repasse do Fundo se deve à restituição do Imposto de Renda, que é executada de junho a agosto.





