Pessoas mais jovens são as que mais se submetem à gastroplastia, cirurgia de redução de estômago. Segundo dados do Hospital do Coração de Londrina, no ano passado 60,3% dos pacientes que passaram pelo procedimento tinham até 40 anos. Pacientes com idade entre 41 e 50 anos representaram 24,1% do total. Em 2007, o número de pacientes com 40 anos ou menos que se submeteu à cirurgia também passou dos 60%.
Especialistas percebem ainda um aumento na procura por esse tipo de cirurgia, o que eles atribuem ao atual estilo de vida. Estudo da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica constata sobrepeso em 51% da população (homens: 50% e mulheres: 51%). ''O País está trocando o problema da deficiência calórica pelo do excesso de calorias'', afirma o gastroenterologista Antonio Carlos Valezi.
Segundo o médico, os mais jovens estão procurando cada vez mais o procedimento porque estão mais conscientes sobre a necessidade de se livrar da obesidade e das múltiplas doenças que o excesso de peso acarreta, tais como diabetes e hipertensão arterial. ''A cirurgia deixou de ter tantos mitos. Os procedimentos realizados em pacientes com até 40 anos acrescentam dez anos de vida'', garante Valezi.
Simone (nome fictício) fez a cirurgia em janeiro de 2007, então com 24 anos. Filha de nutrólogo, antes de partir para o procedimento ela tentou fazer dieta e exercícios físicos, mas não conseguia perder peso. Foi então que ela resolveu, ainda que sem a aprovação da família, adotar uma solução mais drástica.
''Procurei fazer uma readequação alimentar, mas não deu certo. Pacientes do meu pai perdiam peso e eu não. Parti então para os esportes, mas não encontrei nenhuma modalidade que me segurasse por mais de um mês. Então pensei na cirurgia. Minha família não gostou muito da ideia, só que eu procurei o médico mesmo assim. Quando estava tudo pronto, eles acabaram me dando apoio'', conta.
Simone procurou acompanhamento psicológico antes e depois do procedimento. Dois anos depois da redução do estômago e com 35kg a menos, ela não se arrepende. ''Minha vida mudou completamente. Estou mais disposta, segura. Minha autoestima melhorou. Aprendi a dizer não às pessoas e acabei me viciando em exercícios.''
A mudança no humor também foi percebida por amigos e familiares. ''O gerente do banco onde sou cliente logo percebeu que alguma coisa estava diferente. Quando contei minha história, resolveu fazer ele próprio a cirurgia. E está superfeliz'', conta.
A estudante Camila Giroldo, 22 anos, fez a cirurgia em janeiro de 2008. De lá para cá, perdeu 56 kg. ''Minha autoestima melhorou muito. Hoje não faço mais acompanhamento psicológico, mas foi uma etapa importante. A mudança depende muito da cabeça da pessoa. Antes não saia de casa. Hoje me diverto mais.''
Para Camila, a redução também foi o último recurso para o problema do sobrepeso. ''Tentei todas as dietas possíveis, só a cirurgia deu certo. Houve um reflexo na minha vida e na vida das pessoas a minha volta.''
Segundo Clovis E. Zanetti, coordenador do serviço de Psicologia e Psicanálise do Hospital do Coração, ver-se livre da gordura ''é estar diante da possibilidade efetiva de realização de desejos, nem sempre conscientes, o que pode trazer até mesmo o estado de euforia. Mas vale lembrar a importância desta autoestima ser resultado de um trabalho consigo mesmo e não apenas um estado passageiro.''
Em muitos casos, a obesidade não é exatamente um problema, mas a ''solução'' para uma série de dificuldades, desde a afirmação da identidade, do mal-estar nos relacionamentos à sexualidade. ''Por isso a importância do acompanhamento psicológico, criando condições para trocar uma satisfação imediata e solitária (comer), por outra mediada, menos solitária, incluindo parcerias amorosas, artísticas, profissionais e esportivas'', diz Zanetti.

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