São Paulo, 11 (AE) - A decisão do governo de reduzir as alíquotas do Imposto de Importação de alimentos e matérias-primas contou com o apoio de empresários, como os industriais que utilizam esses insumos e os supermercadistas. Para eles, a medida deverá ajudar a corrigir as distorções provocadas pela alta excessiva do dólar.
A notícia de que o secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Claudio Considera, poderá incluir nessa lista produtos agrícolas e bens de consumo industrializados, provocou, porém, forte reação de representantes desses setores de atividade.
"O governo repete o antigo erro e entrega o mercado brasileiro aos concorrentes estrangeiros", afirmou o presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Benjamin Funari. Para ele, o governo deveria providenciar uma proteção mais inteligente do mercado interno, limitando-se a reduzir as barreiras alfandegárias das matérias-primas.
Dirigentes de indústrias de fundição, uma das mais atingidas pela alta dos custos dos metais, como consequência da desvalorização do real, não acreditam que a elevação do Imposto de Importação sobre metais, especialmente alumínio, altere as condições do mercado.
Segundo o diretor da Associação Brasileira da Indústria da Fundição (Abifa), Adauto Pousa Ponte, seria melhor que o governo tributasse as exportações de alumínio e de sucata de alumínio. Ponte explica que os impostos aduaneiros são regulatórios, isto é, são aplicados apenas para proteger o mercado interno.
O presidente da Abifa, José Raya, informou que as exportações de sucata de alumínio, composta quase exclusivamente por latas de refrigerante, têm boa aceitação no mercado internacional. As vendas externas desses produto desabastecem o mercado secundário, composto por fabricantes de alumínio a partir da sucata, e contribuem para o encarecimento dessa matéria-prima.
Alimentos - Os empresários do setor de supermercados aprovaram a decisão do governo de reduzir o Imposto de Importação de alguns alimentos. A redução vem sendo reivindicada pelos varejistas desde que os fabricantes começaram a aumentar os preços dos produtos com insumos cotados em dólar.
"A redução do imposto é importante como regulador psicológico dos preços com tendência de alta", diz o presidente da Associação Brasileira dos Supermercados (Abras), José Humberto Pires de Araújo.
Ele chegou a se reunir na semana passada com o secretário Considera, e ontem enviou ao governo um pedido formal de redução de imposto. A entidade pede imposto menor na importação de produtos como trigo, leite, queijos, massas com ovos, maioneses, sucos de frutas e óleos.
O presidente da Apas, entidade que reúne os supermercados paulistas, Omar Assaf, defende, além da redução do Imposto de Importação, a cobrança de um imposto para exportação de produtos que subiram muito no mercado brasileiro após a mudança do câmbio, como o frango. "As duas coisas ajudam a regularizar o mercado interno", diz.

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